quinta-feira, 11 de junho de 2026

TDIs e o Direito ao Reconhecimento: Entre a Expectativa da Lei e a Realidade da Carreira.

 


A fala de uma TDI (Técnica em Desenvolvimento Infantil) de Juara em uma Assembleia Pública realizada em Cuiabá, no dia 09 de junho e que contou com a presença da Deputada Federal Luciene Cavalcante, trouxe à tona importantes discussões sobre o reconhecimento profissional, a aplicação da legislação educacional, o papel das entidades sindicais e a responsabilidade perante afirmações que podem não condizer com fatos.


Em um vídeo gravado na Assembleia e que que circula em grupos de whatsapp a TDI expressa sua convicção de que a lei sancionada em 06 de janeiro valida sua identidade como professora. A fala da servidora reflete um anseio legítimo por reconhecimento e a complexidade das relações trabalhistas e representativas no setor da educação.


A Lei 15.326/2026, da qual a Deputada Federal Luciene Cavalcante é autora, "Somos Todas Professoras", busca reconhecer e valorizar o papel de profissionais que atuam na educação infantil como docentes, mas que, por vezes, não são formalmente enquadradas como tal. No entanto, é crucial analisar a aplicabilidade da legislação de forma criteriosa. A lei que regulamenta a carreira do magistério e define a função docente geralmente estabelece critérios claros para o enquadramento, que incluem a exigência de formação em nível superior (licenciatura) ou magistério e o exercício direto de atividades de docência em sala de aula. Atividades como planejamento de aulas, responsabilidades pedagógicas diretas, elaboração de relatórios de desempenho de alunos e preenchimento de diários de classe são intrínsecas à função docente.


Servidores que prestaram concurso com exigência de nível médio e cujas atribuições não envolvem diretamente o processo de ensino aprendizagem em sala de aula, como o acompanhamento e a mediação pedagógica, podem não ser enquadrados na mesma categoria funcional dos professores. É fundamental que a legislação seja interpretada e aplicada de acordo com os requisitos de ingresso na carreira e as atribuições efetivamente exercidas, evitando distorções que possam gerar insegurança jurídica ou desequilíbrio nas estruturas de carreira.


Durante seu momento da fala, a servidora acusou o SINTEP (Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público) e a presidente da subsede do sindicato em Juara de fechar as portas para as TDI’s.


É fundamental esclarecer que a alegação da servidora sobre um suposto "fechamento de portas" por parte do SINTEP não corresponde à realidade. A presidente da subsede do sindicato em Juara, Tatiane Vasseli, sempre manteve um diálogo respeitoso e aberto com todas as Trabalhadoras em Desenvolvimento Infantil (TDIs), assim como com todos os demais servidores da educação. A atuação do SINTEP, por meio de suas lideranças, é pautada pela defesa intransigente dos direitos de todos os seus filiados, e a entidade nunca se furtou a acolher e lutar por nenhum servidor, sendo um pilar fundamental na garantia de condições dignas de trabalho e valorização profissional. A estrutura do SINTEP é concebida para ser democrática e acessível, buscando sempre o diálogo e a construção coletiva de soluções para toda a categoria.


 O SINTEP é reconhecido como a única entidade sindical legítima e legalmente constituída para representar os trabalhadores da educação. Sua trajetória é marcada pela defesa intransigente dos direitos e interesses da categoria, abrangendo desde professores até demais servidores que atuam no ambiente escolar. O SINTEP, por sua natureza e histórico de mais de 60 anos, tem como missão acolher e lutar por todos os seus filiados, sendo um pilar fundamental na garantia de condições dignas de trabalho e valorização profissional.


As Assembleias Sindicais são o espaço democrático por excelência onde as decisões coletivas são tomadas. É nelas que os trabalhadores debatem as pautas, aprovam ou rejeitam propostas, elegem seus representantes e definem os rumos da luta. A máxima "quem não participa não delibera" é um princípio basilar do movimento sindical. A ausência nas assembleias significa a renúncia ao direito de voz e voto, deixando que as decisões sejam tomadas por aqueles que se fazem presentes.


A participação ativa e consciente é crucial para fortalecer o sindicato e garantir que as demandas de todas as subcategorias sejam ouvidas e consideradas. É na assembleia que as diferentes perspectivas se encontram, os argumentos são expostos e as deliberações refletem a vontade da maioria. Portanto, a mobilização e a presença dos servidores são indispensáveis para a construção de uma representação sindical forte e verdadeiramente representativa.


Em qualquer ambiente, e especialmente no contexto das relações trabalhistas e sindicais, a responsabilidade na comunicação é um valor inegociável. Acusações sem provas podem gerar danos irreparáveis à imagem e à credibilidade de indivíduos e instituições. A fala da servidora, ao mencionar que o sindicato "fechou as portas" e "descredibilizou" as TDIs, carece de elementos concretos que sustentem tais afirmações, especialmente considerando o histórico de diálogo e acolhimento da entidade e de suas lideranças, como a presidente Tatiane Vasseli.


É fundamental que qualquer denúncia ou crítica seja embasada em fatos e evidências, e que os canais adequados para a resolução de conflitos sejam utilizados. A busca por diálogo e a apresentação de provas são essenciais para a construção de um ambiente de respeito e confiança mútua. Acusações infundadas, além de prejudicarem a imagem dos envolvidos, podem desviar o foco das reais necessidades da categoria e fragilizar a unidade necessária para as lutas coletivas.


A situação apresentada pela servidora evidencia a necessidade contínua de diálogo, clareza na aplicação da legislação e fortalecimento da organização sindical. É imperativo que os servidores da educação compreendam os critérios de enquadramento funcional, participem ativamente das instâncias democráticas do sindicato e pautem suas discussões com base em informações precisas e comprovadas. Somente assim será possível avançar na defesa dos direitos e na valorização de todos os profissionais da educação, construindo um ambiente de trabalho justo e equitativo.



8 comentários:

  1. Planejamos,fazemos diário de bordo, relatórios.Temos magistério por isso o termo piso do magistério com nível superior. Isso não é ser docente.

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  2. O Sintep sempre fechou as portas para as TDIs. Sempre responderam que p sermos professores teríamos de fazer outro concurso. Só nos víamos como massa de manobra para os manifestos de greves. Sintep nunca lutou pelos professores da educação infantil. Agora fica aí, fingindo que sempre nos apoiaram.

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  3. Aqui na minha Cidade além de virar as costas para a classe o Sintep nos negou esse direito.

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  4. Vocês ouviram TUDO o que a autora da Lei disse e ainda assim continuam na ignorância? Vocês são uma VERGONHA para os profissionais da educação.. nem sei o que foram fazer na Audiência Pública, nós somos servidores municipais, vocês não tem que se meter, deixem que os sindicatos dos servidores municipais estão trabalhando para defender o que é correto.. vocês estão sem credibilidade para com a lei 15.326

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  5. Parabéns à autora pelo artigo, pela lucidez e concretude com que trata e esclarece as questões. Compreendo a ansiedade daqueles/as e daquelas que lutam e reclamam pelo reconhecimento das TDIs como professoras. Também luto e lutarei sempre por direitos. Mas não posso transgredir o mérito de quem fez um concurso e assegurou, como previsto no edital sua posse nas funções descritas. Como a lei prevê, se as funções do edital compreendem as funções docentes, o enquadramento, juridicamente, é direito liquido e certo. Mas se não está assegurado no edital, se no cargo definido no edital (mesmo que não fosse denominado professor), nas funções descritas no edital, se não conformam atuar nas funções docentes após a posse, estará assim, mesmo que um prefeito e deputado defendam - porque apenas querem lacrar em tempos eleitorais (para si ou para algum familiar), incorrendo em transposição de cargo, conformando um ato inconstitucional. Se o enquadramento acontecer, poderão passar uma, duas, três ou mais gestões com as pessoas gozando do direito. Mas se um prefeito resolver contestar o enquadramento alegando "vicio de origem", todos os atos serão passíveis de anulação, com possibilidade de devolução de dinheiro ao erário público. Diante desse risco, é dever do sindicato esclarecer. O papel do sindicato é lutar por direito, mas não pode ser uma luta cega, que sem os cuidados necessários, poderá incorrer em conduzir a categoria a conquistas provisórias e retrocessos, altamente prejudicial para novas lutas. Num país que sempre negou direitos aos trabalhadores, há que saber fazer a luta, para não colocar em risco até mesmo o que já se conquistou. Essa luta, a dos TDIs tem que continuar. Mas tem que ser uma luta com coração e cabeça para saber quando avançar e quando esperar. Por que quando somos guiados pelo bolso e pelo estomago, na pressa do imediatismo, os prejuízos poderão ser incalculáveis. Assinado: Prof. Gilmar Soares. Ferreira. (Ex-Pres Sintep/MT)

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  6. Na educação infantil é estruturado pelo princípio indissociável de educar, cuidar e educar. Longe de um caráter puramente assistencialista, os educadores (TDIS E PROFESSOR REGENTE ) atua como mediador. Ele organiza o ambiente, planeja vivências lúdicas e garante o desenvolvimento integral (físico, emocional, cognitivo e social) da criança de zero a cinco. Quem organiza o ambiente? quem recebe as crianças até você chegar na sala? quem está com você quando precisa terminar os projetos da escola? quem ajuda você a controlar a sala para você aplicar seu conteúdo ou você sozinha consegue? . Para sua informação as TDIS desenvolvimento sim a docência. Pois a lei LDB deixa bem claro não tem como separar o brincar , cuidar e educar. Então nós desenvolvimento sim. Até o próprio PCCS nós afirma. Se na educação infantil fosse tão fácil então não precisava de uma TDIS PARA TER AJUDAR.

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  7. Em Peixoto de Azevedo Não tivemos apoio algum de sintep ,pelo contrário o presidente do sintep sempre falava que nós não éramos docentes e que não tínhamos direito .

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  8. enfim, excelente fala da educadora. expos as realidade, sintep sempre foi contra, graças ao SINDTDI e a sua presidente, somos reconhecidas hoje como professoras...a arrogância e a soberba do sintep, descredibilizou o próprio sindicato...hoje como estão fora o governo resolveu virar sindicato....n soma e não acrescenta nda...estamos bem representados pelo SINDITDI

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