quarta-feira, 24 de junho de 2026

Mato Grosso rico, servidores endividados: uma conta que não fecha

 



Mato Grosso é apresentado diariamente como um exemplo de equilíbrio fiscal, crescimento econômico e capacidade de investimento. O governo comemora recordes de arrecadação, inaugura obras e destaca a solidez das contas públicas. Mas existe uma pergunta que precisa ser feita: de que adianta um Estado rico quando seus servidores públicos estão cada vez mais pobres?


A realidade vivida pelos trabalhadores e trabalhadoras do serviço público, especialmente da educação, está muito distante da propaganda oficial. Enquanto os cofres estaduais registram crescimento de arrecadação, mais de 60 mil servidores ativos e aposentados recorrem aos empréstimos consignados para pagar alimentação, medicamentos, aluguel e despesas básicas da família. Nessa trágica estatística, 80% (35 mil) dos 42 mil aposentados e pensionistas, segundo o MTPrev, estão endividados no estado.  


Na educação, a situação é ainda mais preocupante. Professores e profissionais das escolas enfrentam uma combinação perigosa: sem prestígio e desvalorização, com aumento das responsabilidades e redução de 32,57% do poder de compra. O que antes garantia uma vida digna hoje mal consegue acompanhar o preço dos alimentos, da energia elétrica, dos combustíveis e dos serviços essenciais.


A gestão Mauro Mendes e Pivetta deixou os salários dos educadores R$ 1.260,49 abaixo do piso salarial nacional (R$ 5.130, 63), e acabou com Concurso Público, precarizando a carreira. Apesar de Mato Grosso viver um dos períodos de maior arrecadação de sua história, conforme propaganda oficial. Mas é justamente por isso que cresce a indignação dos educadores. Se o Estado arrecada mais, por que os trabalhadores não sentem essa melhora no bolso? Se as contas públicas estão equilibradas, por que tantos servidores estão mergulhados em dívidas?


A verdade é que se construiu um modelo de gestão que privilegia os indicadores fiscais, mas que tem dificuldade em reconhecer o papel estratégico do servidor público. Não existe educação de qualidade sem valorização dos educadores. Não existe saúde eficiente sem profissionais respeitados. Não existe serviço público forte quando seus trabalhadores perdem ano após ano a capacidade de sustentar suas famílias.


Os servidores do Executivo estadual acumulam perdas de 18,38% nos salários pelo não cumprimento da integralidade da RGA ao longo dos últimos sete anos. Quando o salário deixa de acompanhar o custo real de vida, ocorre um empobrecimento silencioso. O trabalhador continua recebendo, mas compra menos, impactando a economia regional, vive com mais dificuldades e depende cada vez mais do crédito para sobreviver.


Essa não é apenas uma discussão econômica. É uma discussão sobre prioridades. O governo escolhe diariamente onde investir recursos, concede R$ 14 bilhões de renúncias fiscais, investe em infraestrutura megalomaníaca, como por exemplo a construção de um Parque de bilhões. Enquanto os servidores são tratados com o que sobra dentro do orçamento e planilhas, perde-se a dimensão humana da administração pública.


Como professor, conheço a realidade das escolas. Conheço profissionais que acumulam jornadas exaustivas, enfrentam dificuldades financeiras e continuam acreditando na educação como instrumento de transformação social. Na educação, são 86% de mulheres que sustentam o futuro de Mato Grosso e que merecem muito mais do que discursos de reconhecimento e benevolência de um governo nada humano.


Defendo que o Estado estabeleça uma política permanente de recuperação do poder de compra dos servidores, dialogue com as categorias e enfrente o problema do superendividamento com responsabilidade. Não podemos aceitar que o crescimento econômico beneficie apenas indicadores e estatísticas enquanto os trabalhadores que constroem esse desenvolvimento ficam para trás.


Por Henrique Lopes – Professor e pré-candidato a deputado estadual





segunda-feira, 15 de junho de 2026

Museu do Vale do Arinos segue totalmente sucateado, sem recursos por parte da Prefeitura Municipal de Juara e deverá voltar a ser alojamento permanente para estudantes indígenas na praça dos colonizadores.


 

Não é de hoje que a sociedade juarense acompanha a novela do Museu do Vale do Arinos, sediado na praça dos colonizadores, centro da cidade. Se trata de mais uma irresponsabilidade da prefeitura municipal de Juara, desde a gestão Carlos Sirena, até a atual, como nos afirma Saulo Augusto de Moraes, seu atual diretor.

O Museu do Vale do Arinos é uma instituição pública do município de Juara, criada por lei municipal. Saulo faz questão de frisar que o museu não é uma instituição da UNEMAT, como muitos pensam. A UNEMAT é apenas uma parceira de gestão, com foco voltado ao campo científico do museu e produção de acervos. A responsabilidade legal pelo financiamento do Museu do Vale do Arinos é do município de Juara.

Contudo, desde sua fundação o Museu do Vale do Arinos enfrenta percalços financeiros severos e falta de servidores. De acordo com Saulo, isso é um reflexo da falta de vontade e de compromisso político das gestões municipais, de antes e de agora, para com o museu, para com o setor cultural e para com a população. Outros fatores como: remanejamentos de recursos da cultura para outros fins e setores, má gestão municipal da cultura, falta de pessoal qualificado para escrita e gestão de projetos, ausência de planejamento adequado, entre outros, intensificam o sucateamento do museu.  

Saulo explica que desde o início de 2025 já esteve em mais de cinco reuniões com o prefeito Ney, com o vice-prefeito Leo Boy e com o chefe de gabinete Cido Silva, e absolutamente nada foi resolvido para que o museu pudesse funcionar de maneira regular para a sociedade. Essa enrolação política, aparentemente intencional, é algo grave, pois representa a incapacidade de planejamento público da equipe de gestão municipal, bem como sinaliza para uma prática de improbidade se tornando corriqueira, comum.

Saulo explica ainda que o museu segue com suas portas fechadas desde 2024, apesar de manter trabalhos internos de pesquisa, de recebimento e catalogação de acervos, de atividades educativas em visitas guiadas pontuais, visitas técnicas de estudantes, através de seus colaboradores cientistas, bolsistas e voluntários, indígenas e não indígenas. A última dessas visitas guiadas ocorreu em 31/05 do presente ano, a qual teve mais de 70 estudantes da UNEMAT realizando minicurso e oficina, registro audiovisual e ações de protesto contra a situação deplorável do museu.

Apesar do criador da lei municipal que instituiu o Museu do Vale do Arinos ter sido o então vereador Leo Boy, hoje prefeito em exercício, nenhuma ação efetiva tem sido tomada por parte dele e de sua equipe de gestão, para sanar estes problemas. Nenhum planejamento efetivo, nenhuma solução apresentada. O prejuízo, como sempre, é dos contribuintes juarenses que continuam impedidos de visitar as coleções do museu, como afirma Saulo. O turista não encontra um cartão postal no centro da praça dos colonizadores, mas sim um prédio sucateado e esteticamente prejudicado, o que dá a impressão de coisa suja.

Segundo Saulo as tentativas de acordo pacífico com a atual gestão municipal têm sido constantes, mas sem êxito, apesar desse acordo ser algo esperado pelo Ministério Público. Sobre isso, Saulo afirma que se a gestão municipal não apresentar soluções efetivas para os problemas do museu, em breve novas denúncias serão protocoladas na Promotoria de Justiça de Juara, devendo estas ser incluídas junto ao processo já em andamento contra a gestão Carlos Sirena.

Também o prédio do Museu do Vale do Arinos voltará a ser utilizado como alojamento para estudantes indígenas, uma vez que o prédio em si precisa cumprir função social e, uma vez que o prédio é do museu, e não da prefeitura, conforme a lei que garante sede própria e exclusiva na praça dos colonizadores, portanto não cabendo interferência da prefeitura nessa decisão – e o fato de o prédio do museu vir a se tornar alojamento indígena, não interfere em nada no funcionamento interno do museu, como já ocorre hoje. Conforme afirma Saulo, o museu pode oferecer esse tipo de suporte, e não depende de autorização externa, nem de autorização de políticos ou da prefeitura, sendo essa uma decisão exclusiva do próprio museu – e há significativo arcabouço jurídico que apoia isso.

Como estratégia pública, Saulo afirma produzir um expressivo abaixo assinado para corroborar e cobrar junto ao MP a urgente necessidade de abertura e funcionamento regular do Museu do Vale do Arinos, a inclusão do museu no orçamento municipal, contratação de servidores, de vigias e de zelador, bem como responsabilizar os responsáveis pela trágica situação do museu, desde a gestão municipal anterior. 

Saulo frisa que já são quase uma década de má gestão municipal no tocante ao museu e que é inaceitável isso continuar se prolongando. A cobrança sobre o Ministério Público, junto à Promotoria de Justiça de Juara, também será contundente, pois é necessário que o órgão responsabilize judicialmente o ex-prefeito e o atual, no tocante aos graves problemas que atingem o Museu do Vale do Arinos, o impedindo de seu funcionamento regular e cumprimento de sua função pública.

Por fim, Saulo esclarece que essa publicação não tem cunho político-partidário, mas informativo. Frisa não ter nenhuma animosidade, inimizade ou conflito com quem quer que seja da gestão municipal. Mas que frente ao compromisso que possui com o museu, com a cultura local, sempre se dedicando de forma voluntária para que a população juarense possa ter seus espaços de cultura e de museu qualificados, se vê obrigado a informar a população juarense de tempos em tempos.

quinta-feira, 11 de junho de 2026

TDIs e o Direito ao Reconhecimento: Entre a Expectativa da Lei e a Realidade da Carreira.

 


A fala de uma TDI (Técnica em Desenvolvimento Infantil) de Juara em uma Assembleia Pública realizada em Cuiabá, no dia 09 de junho e que contou com a presença da Deputada Federal Luciene Cavalcante, trouxe à tona importantes discussões sobre o reconhecimento profissional, a aplicação da legislação educacional, o papel das entidades sindicais e a responsabilidade perante afirmações que podem não condizer com fatos.


Em um vídeo gravado na Assembleia e que que circula em grupos de whatsapp a TDI expressa sua convicção de que a lei sancionada em 06 de janeiro valida sua identidade como professora. A fala da servidora reflete um anseio legítimo por reconhecimento e a complexidade das relações trabalhistas e representativas no setor da educação.


A Lei 15.326/2026, da qual a Deputada Federal Luciene Cavalcante é autora, "Somos Todas Professoras", busca reconhecer e valorizar o papel de profissionais que atuam na educação infantil como docentes, mas que, por vezes, não são formalmente enquadradas como tal. No entanto, é crucial analisar a aplicabilidade da legislação de forma criteriosa. A lei que regulamenta a carreira do magistério e define a função docente geralmente estabelece critérios claros para o enquadramento, que incluem a exigência de formação em nível superior (licenciatura) ou magistério e o exercício direto de atividades de docência em sala de aula. Atividades como planejamento de aulas, responsabilidades pedagógicas diretas, elaboração de relatórios de desempenho de alunos e preenchimento de diários de classe são intrínsecas à função docente.


Servidores que prestaram concurso com exigência de nível médio e cujas atribuições não envolvem diretamente o processo de ensino aprendizagem em sala de aula, como o acompanhamento e a mediação pedagógica, podem não ser enquadrados na mesma categoria funcional dos professores. É fundamental que a legislação seja interpretada e aplicada de acordo com os requisitos de ingresso na carreira e as atribuições efetivamente exercidas, evitando distorções que possam gerar insegurança jurídica ou desequilíbrio nas estruturas de carreira.


Durante seu momento da fala, a servidora acusou o SINTEP (Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público) e a presidente da subsede do sindicato em Juara de fechar as portas para as TDI’s.


É fundamental esclarecer que a alegação da servidora sobre um suposto "fechamento de portas" por parte do SINTEP não corresponde à realidade. A presidente da subsede do sindicato em Juara, Tatiane Vasseli, sempre manteve um diálogo respeitoso e aberto com todas as Trabalhadoras em Desenvolvimento Infantil (TDIs), assim como com todos os demais servidores da educação. A atuação do SINTEP, por meio de suas lideranças, é pautada pela defesa intransigente dos direitos de todos os seus filiados, e a entidade nunca se furtou a acolher e lutar por nenhum servidor, sendo um pilar fundamental na garantia de condições dignas de trabalho e valorização profissional. A estrutura do SINTEP é concebida para ser democrática e acessível, buscando sempre o diálogo e a construção coletiva de soluções para toda a categoria.


 O SINTEP é reconhecido como a única entidade sindical legítima e legalmente constituída para representar os trabalhadores da educação. Sua trajetória é marcada pela defesa intransigente dos direitos e interesses da categoria, abrangendo desde professores até demais servidores que atuam no ambiente escolar. O SINTEP, por sua natureza e histórico de mais de 60 anos, tem como missão acolher e lutar por todos os seus filiados, sendo um pilar fundamental na garantia de condições dignas de trabalho e valorização profissional.


As Assembleias Sindicais são o espaço democrático por excelência onde as decisões coletivas são tomadas. É nelas que os trabalhadores debatem as pautas, aprovam ou rejeitam propostas, elegem seus representantes e definem os rumos da luta. A máxima "quem não participa não delibera" é um princípio basilar do movimento sindical. A ausência nas assembleias significa a renúncia ao direito de voz e voto, deixando que as decisões sejam tomadas por aqueles que se fazem presentes.


A participação ativa e consciente é crucial para fortalecer o sindicato e garantir que as demandas de todas as subcategorias sejam ouvidas e consideradas. É na assembleia que as diferentes perspectivas se encontram, os argumentos são expostos e as deliberações refletem a vontade da maioria. Portanto, a mobilização e a presença dos servidores são indispensáveis para a construção de uma representação sindical forte e verdadeiramente representativa.


Em qualquer ambiente, e especialmente no contexto das relações trabalhistas e sindicais, a responsabilidade na comunicação é um valor inegociável. Acusações sem provas podem gerar danos irreparáveis à imagem e à credibilidade de indivíduos e instituições. A fala da servidora, ao mencionar que o sindicato "fechou as portas" e "descredibilizou" as TDIs, carece de elementos concretos que sustentem tais afirmações, especialmente considerando o histórico de diálogo e acolhimento da entidade e de suas lideranças, como a presidente Tatiane Vasseli.


É fundamental que qualquer denúncia ou crítica seja embasada em fatos e evidências, e que os canais adequados para a resolução de conflitos sejam utilizados. A busca por diálogo e a apresentação de provas são essenciais para a construção de um ambiente de respeito e confiança mútua. Acusações infundadas, além de prejudicarem a imagem dos envolvidos, podem desviar o foco das reais necessidades da categoria e fragilizar a unidade necessária para as lutas coletivas.


A situação apresentada pela servidora evidencia a necessidade contínua de diálogo, clareza na aplicação da legislação e fortalecimento da organização sindical. É imperativo que os servidores da educação compreendam os critérios de enquadramento funcional, participem ativamente das instâncias democráticas do sindicato e pautem suas discussões com base em informações precisas e comprovadas. Somente assim será possível avançar na defesa dos direitos e na valorização de todos os profissionais da educação, construindo um ambiente de trabalho justo e equitativo.



terça-feira, 9 de junho de 2026

ASSÉDIO MORAL NAS ESCOLAS: O Silêncio que Adoece os Educadores em Juara (MT)


O ambiente que deveria ser de acolhimento e construção do saber transformou-se em um cenário de medo, isolamento e adoecimento para profissionais da educação em Juara. Relatos de professores e servidores apontam para uma crise silenciosa provocada por práticas sistemáticas de possível assédio moral cometidas por gestores escolares. O quadro é agravado, segundo denúncias, pela inércia e omissão da Secretaria Municipal de Educação, que tem falhado em fiscalizar e punir os abusos de poder e essa não é a primeira vez que falamos desse problema aqui no Blog.

Longe de ser uma cobrança administrativa comum, o possível assédio moral nas unidades de ensino de Juara tem se manifestado de forma perversa. Sob a justificativa de "cumprimento de metas", diretores e coordenadores utilizam ferramentas de humilhação pública e vigilância obsessiva para desestabilizar servidores.

Entre as condutas mais frequentes apontadas por profissionais da área estão:

  • Exposição e Humilhação: Críticas severas e desqualificações direcionadas ao trabalho dos professores em reuniões pedagógicas, diante do corpo docente; assim como exposição dos servidores por atestados médicos.
  • Avaliação Punitiva: Utilização de critérios pessoais e não pedagógicos para avaliação de servidores contratados.

“Se você critica e cobra qualquer coisa da gestão sua avaliação é diferente daqueles que se calam”.

"Você entra na escola já tremendo, sabendo que qualquer palavra sua será monitorada e distorcida pela direção. O sentimento é de total desamparo".

São estes os relatos de educadores da rede municipal que preferem não se identificar, por medo de represálias.

O impacto dessas práticas ultrapassa os muros das escolas e atinge a vida pessoal dos trabalhadores. Psicólogos e juristas alertam que o assédio contínuo ataca diretamente a dignidade e a saúde mental do trabalhador, gerando sequelas profundas.

A rotina de abusos tem cobrado um preço alto na rede de ensino:

  • Evolução para a Síndrome De Burnout: Os educadores relatam quadro de esgotamento físico e emocional, associado ao surgimento de sintomas como ansiedade intensa, episódios depressivos e outros agravos à saúde mental.
  • Perda da Identidade Profissional: O medo constante de retaliações destrói a autoconfiança pedagógica, transformando profissionais criativos em reprodutores de tarefas acuados.
  • Explosão de Licenças Médicas: Em decorrência dos danos a saúde mental, os corpos e mentes dos servidores entram em colapso devido à pressão psicológica, aumentando o número de atestados e licenças.

O ponto mais crítico da denúncia reside na postura da Secretaria Municipal de Educação de Juara e o Chefe Do Executivo, que ao invés de agirem como fiscalizadores, protegendo a saúde e ambiente de trabalho dos servidores, parecem manter uma postura de inércia institucional.

A ausência de respostas e canais seguros de denúncia alimenta uma estrutura de impunidade. Reclamações que chegam à pasta costumam enfrentar barreiras burocráticas ou o completo engavetamento.

O resultado é a revitimização do trabalhador, que ao tentar denunciar o abuso, ouve que "não sabe lidar com a pressão do cargo" ou que “é uma pessoa difícil de conviver”.

Frente ao silêncio das autoridades municipais, a orientação de especialistas e órgãos de defesa é para que os educadores busquem amparo em instâncias externas. O Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (SINTEP-MT) tem sido o principal anteparo político e jurídico na região para acolher os servidores lesados, visto que é o único representante legal da categoria.

Além disso, juristas reforçam que o assédio moral praticado por gestor público fere os princípios da moralidade e da legalidade, podendo configurar Ato de Improbidade Administrativa. A recomendação para as vítimas é a formalização de denúncias munidas de provas materiais (como áudios, mensagens e e-mails de teor abusivo) diretamente ao Ministério Público do Estado de Mato Grosso – MPE/MT e à Ouvidoria Geral do Estado – CGE/MT (no caso de servidores estaduais), esferas capazes de forçar uma auditoria externa e responsabilizar tanto os gestores abusivos quanto os secretários coniventes.

Nas relações de trabalho regidas pela CLT, a Norma Regulamentadora nº 01 (NR-1) passou a incluir expressamente os fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). Seus princípios podem ser adotados pela Administração Pública como instrumento de proteção aos servidores e melhoria das condições laborais.

No âmbito do serviço público, a NR-01 orienta a identificação, avaliação e controle dos riscos existentes nos ambientes de trabalho, incluindo riscos físicos, ergonômicos, psicossociais e organizacionais. Além disso, incentiva a implementação de medidas preventivas, capacitações e ações voltadas à promoção da saúde e da segurança dos trabalhadores.

Dessa forma, a aplicação dos princípios da NR-01 no serviço público contribui para a redução de adoecimentos ocupacionais, favorecendo ambientes mais seguros, produtivos e saudáveis. Como resultado, fortalece-se a valorização dos servidores e a eficiência na prestação dos serviços à sociedade.

Fica o questionamento: Até quando essa situação vai acontecer sem que as devidas providências sejam adotadas pelos responsáveis?

A Secretaria Municipal de Educação e o chefe do executivo não podem ignorar esta realidade e a discussão de um tema tão importante.

Vale ressaltar que a compra e entrega de materiais didáticos, por si só, não representam qualidade de ensino e valorização profissional.

O Blog Politizada está à disposição das autoridades competentes, caso queiram se manifestar, mas espera, sinceramente, que providencias sejam tomadas para garantir que esse tipo de situação aqui expostas sejam sanadas e os profissionais da educação tenham, sua dignidade e respeito garantidos.

 

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Mato Grosso em disputa: a direita briga entre si enquanto a centro-esquerda assiste.


Depois de quase sete anos de governo, Mauro Mendes não apenas administra Mato Grosso — ele ajudou a moldar o ambiente político que hoje domina o estado. Um ambiente em que a direita não só governa, como dita o tom, o ritmo e os limites do debate público.


Não se trata apenas de gestão. Trata-se de projeto.


Ancorado no discurso da eficiência fiscal e respaldado por setores poderosos do agronegócio, Mendes consolidou uma base não sólida e ideologicamente alinhada. Em muitos momentos, seu governo caminhou lado a lado com pautas da direita mais dura, contribuindo para transformar Mato Grosso em um dos territórios mais fiéis ao bolsonarismo no país.


O resultado é visível: o debate público encolheu. Questões como educação, direitos sociais e inclusão passaram a ser tratadas sob permanente tensão — o endividamento dos servidores públicos através de consignados sob fortes suspeitas de ligação ao caso MASTER ou quando não, simplesmente empurradas para segundo plano.


Há, claro, quem celebre os números fiscais e a reorganização das contas. Mas há também um custo político e social que não pode ser ignorado: servidores pressionados, políticas públicas fragilizadas e um distanciamento cada vez maior entre governo e setores organizados da sociedade.


Ainda assim, Mauro Mendes chega ao fim de seu ciclo medindo força. E mais: como peça central na sucessão estadual e potencial candidato ao Senado. O poder, neste momento, continua orbitando ao seu redor.


Há um detalhe importante — e revelador.


A principal disputa em Mato Grosso hoje não é entre direita e esquerda. É dentro da própria direita.


A movimentação do senador Jayme Campos escancara essa realidade. Ao se colocar como possível candidato ao governo, enfrentando o grupo de Mendes no mesmo campo político, ele expõe fissuras que estavam apenas disfarçadas. Não é ruptura ideológica. É disputa por espaço, influência e comando.


E mesmo com esse racha, nada indica mudança de hegemonia. Mesmo com as cotoveladas em palanque e a disputa com o senador Wellington Fagundes pelas bençãos de Flávio Bolsonaro. A direita continua sobrando no jogo.


Do outro lado, o silêncio incomoda.


A centro-esquerda, que em outros momentos teve protagonismo e capacidade de mobilização, hoje patina. Falta nome, falta estratégia, falta, sobretudo, capacidade de se apresentar como alternativa real de poder. O campo existe — mas não se materializa eleitoralmente.


E esse vazio cobra seu preço.


Sem um contraponto competitivo, o debate se estreita. A eleição deixa de ser confronto de projetos e passa a ser uma disputa interna entre grupos que pensam, em grande medida, o estado sob a mesma lógica.


O eleitor, diante disso, não escolhe entre caminhos distintos. Escolhe entre variações de um mesmo rumo.


As eleições deste ano, portanto, dizem menos sobre mudança e mais sobre continuidade. A encruzilhada existe — mas, até aqui, apenas um dos lados parece saber exatamente para onde quer ir.


Se nada mudar, Mato Grosso não terá uma disputa de projetos. Terá apenas uma troca de comando dentro do mesmo campo político.


E isso, para a democracia, é sempre um sinal de alerta.

 

Por: Luiz Carlos Benitt, jornalista político.

sábado, 18 de abril de 2026

Professora denuncia possível assédio moral em escola da rede municipal de Juara MT.


 

Uma professora da rede municipal de educação de Juara, que preferiu manter o anonimato por medo de retaliações, denunciou estar sofrendo possíveis episódios de assédio moral por parte da diretora da unidade escolar onde trabalha. Segundo relato da docente, as situações de constrangimento e hostilidade vêm ocorrendo desde o ano letivo passado.


De acordo com a professora, a diretora teria protagonizado episódios de desrespeito em ambientes públicos da escola, incluindo gritos nos corredores, causando constrangimento diante de colegas e alunos. Em uma das ocasiões, a gestora teria afirmado que a professora “não é bem-vinda na escola” e que precisaria “recorrer a orações”.


A professora afirma que, diante da recorrência das situações, passou a registrar os episódios por meio de gravações, como forma de comprovar a conduta denunciada. Segundo ela, o ambiente de trabalho vem se tornando cada vez mais hostil, impactando diretamente seu bem-estar profissional e emocional.


Ainda de acordo com a docente, houve uma tentativa de buscar solução administrativa para o conflito, diretamente com à coordenação da escola, para expor e registrar as ocorrências. No entanto, não foi atendida.


O caso levanta discussões sobre o ambiente de trabalho nas instituições públicas de ensino e a importância de canais efetivos para acolhimento e apuração de denúncias.


Especialistas na área de relações de trabalho destacam que situações de exposição, humilhação ou tratamento desrespeitoso reiterado podem configurar assédio moral, sendo passíveis de investigação administrativa, abertura de sindicância e, em casos específicos, procedimento administrativo disciplinar.


Até o momento, não há informações sobre posicionamento oficial da direção da escola ou da Secretaria Municipal de Educação acerca das denúncias, mesmo após comunicação formal do ocorrido, há mais de vinte dias, diretamente na Secretaria de Educação.


A professora diz estar na espera de que algo seja feito para sanar esse tipo de situação e garantir um ambiente de trabalho saudável pois isso é fundamental para o bem-estar dos profissionais e para a qualidade dos resultados alcançados por qualquer instituição.


Garantir um espaço livre de assédio moral não é apenas uma questão ética, mas também uma responsabilidade legal e humana.

Educação não é planilha: o saldo preocupante da gestão Mauro Mendes em Mato Grosso.


 

A história recente da educação pública em Mato Grosso precisa ser contada com honestidade e compromisso com quem vive o chão da escola. Ao longo dos últimos anos, o que se viu não foi um projeto educacional estruturado, mas uma condução marcada por decisões administrativas frias, distantes da realidade de estudantes, professores e comunidades escolares.

 

Sob o discurso de modernização e eficiência, a gestão estadual promoveu mudanças que fragilizaram pilares históricos da educação pública. Um dos exemplos mais simbólicos foi o enfraquecimento da gestão democrática nas escolas, retirando da comunidade escolar o direito de participar das decisões. Isso rompe com um princípio essencial: educação se constrói coletivamente, não se impõe por decreto.

 

Outro aspecto preocupante foi o fechamento de unidades escolares e a chamada política de “redimensionamento”, que transferiu responsabilidades aos municípios sem a devida garantia de estrutura e financiamento. O resultado é conhecido: sobrecarga das redes municipais, dificuldade de acesso para estudantes e prejuízos diretos ao processo de ensino aprendizagem. 

 

Na valorização dos profissionais, o cenário também é crítico. A política de recomposição salarial não acompanhou as perdas acumuladas, gerando defasagens significativas. Professores e trabalhadores da educação passaram a conviver com um modelo que privilegia metas e gratificações em detrimento da carreira estruturada, aprofundando a precarização e o adoecimento da categoria.  

 

Além disso, assistimos à padronização do ensino por meio de sistemas apostilados e modelos engessados, que reduzem a autonomia pedagógica e transformam o professor em mero executor de conteúdos. Educação não pode ser tratada como linha de produção. Cada escola tem sua identidade, cada estudante tem sua realidade.

 

Outro ponto grave diz respeito à transparência. Há denúncias de manipulação de indicadores educacionais para criar uma percepção artificial de avanço. Quando dados são utilizados como ferramenta de marketing e não como instrumento de diagnóstico, perde-se a capacidade de corrigir rumos e garantir políticas públicas efetivas.  

 

A tentativa de impor uma lógica militarizada em algumas unidades escolares também revela uma compreensão equivocada do papel da educação. Disciplina pedagógica não se confunde com disciplina militar. A escola deve formar cidadãos críticos, não sujeitos obedientes.

 

O que está em jogo não é uma disputa política superficial. É o futuro de uma geração inteira. Quando se desmonta a educação pública, não se atinge apenas o professor — compromete-se o desenvolvimento social, econômico e humano do estado.

 

Defender a educação pública é defender investimento, valorização profissional, gestão democrática e respeito à comunidade escolar. Qualquer projeto que ignore esses fundamentos estará fadado a aprofundar desigualdades.

 

A educação de Mato Grosso precisa deixar de ser tratada como custo e passar a ser compreendida como investimento estratégico. Esse é o debate que precisa ser feito — com coragem, transparência e compromisso com o povo.


Por: Henrique Lopes - professor e presidente licenciado do SINTEP.