sábado, 18 de abril de 2026

Professora denuncia possível assédio moral em escola da rede municipal de Juara MT.


 

Uma professora da rede municipal de educação de Juara, que preferiu manter o anonimato por medo de retaliações, denunciou estar sofrendo possíveis episódios de assédio moral por parte da diretora da unidade escolar onde trabalha. Segundo relato da docente, as situações de constrangimento e hostilidade vêm ocorrendo desde o ano letivo passado.


De acordo com a professora, a diretora teria protagonizado episódios de desrespeito em ambientes públicos da escola, incluindo gritos nos corredores, causando constrangimento diante de colegas e alunos. Em uma das ocasiões, a gestora teria afirmado que a professora “não é bem-vinda na escola” e que precisaria “recorrer a orações”.


A professora afirma que, diante da recorrência das situações, passou a registrar os episódios por meio de gravações, como forma de comprovar a conduta denunciada. Segundo ela, o ambiente de trabalho vem se tornando cada vez mais hostil, impactando diretamente seu bem-estar profissional e emocional.


Ainda de acordo com a docente, houve uma tentativa de buscar solução administrativa para o conflito, diretamente com à coordenação da escola, para expor e registrar as ocorrências. No entanto, não foi atendida.


O caso levanta discussões sobre o ambiente de trabalho nas instituições públicas de ensino e a importância de canais efetivos para acolhimento e apuração de denúncias.


Especialistas na área de relações de trabalho destacam que situações de exposição, humilhação ou tratamento desrespeitoso reiterado podem configurar assédio moral, sendo passíveis de investigação administrativa, abertura de sindicância e, em casos específicos, procedimento administrativo disciplinar.


Até o momento, não há informações sobre posicionamento oficial da direção da escola ou da Secretaria Municipal de Educação acerca das denúncias, mesmo após comunicação formal do ocorrido, há mais de vinte dias, diretamente na Secretaria de Educação.


A professora diz estar na espera de que algo seja feito para sanar esse tipo de situação e garantir um ambiente de trabalho saudável pois isso é fundamental para o bem-estar dos profissionais e para a qualidade dos resultados alcançados por qualquer instituição.


Garantir um espaço livre de assédio moral não é apenas uma questão ética, mas também uma responsabilidade legal e humana.

Educação não é planilha: o saldo preocupante da gestão Mauro Mendes em Mato Grosso.


 

A história recente da educação pública em Mato Grosso precisa ser contada com honestidade e compromisso com quem vive o chão da escola. Ao longo dos últimos anos, o que se viu não foi um projeto educacional estruturado, mas uma condução marcada por decisões administrativas frias, distantes da realidade de estudantes, professores e comunidades escolares.

 

Sob o discurso de modernização e eficiência, a gestão estadual promoveu mudanças que fragilizaram pilares históricos da educação pública. Um dos exemplos mais simbólicos foi o enfraquecimento da gestão democrática nas escolas, retirando da comunidade escolar o direito de participar das decisões. Isso rompe com um princípio essencial: educação se constrói coletivamente, não se impõe por decreto.

 

Outro aspecto preocupante foi o fechamento de unidades escolares e a chamada política de “redimensionamento”, que transferiu responsabilidades aos municípios sem a devida garantia de estrutura e financiamento. O resultado é conhecido: sobrecarga das redes municipais, dificuldade de acesso para estudantes e prejuízos diretos ao processo de ensino aprendizagem. 

 

Na valorização dos profissionais, o cenário também é crítico. A política de recomposição salarial não acompanhou as perdas acumuladas, gerando defasagens significativas. Professores e trabalhadores da educação passaram a conviver com um modelo que privilegia metas e gratificações em detrimento da carreira estruturada, aprofundando a precarização e o adoecimento da categoria.  

 

Além disso, assistimos à padronização do ensino por meio de sistemas apostilados e modelos engessados, que reduzem a autonomia pedagógica e transformam o professor em mero executor de conteúdos. Educação não pode ser tratada como linha de produção. Cada escola tem sua identidade, cada estudante tem sua realidade.

 

Outro ponto grave diz respeito à transparência. Há denúncias de manipulação de indicadores educacionais para criar uma percepção artificial de avanço. Quando dados são utilizados como ferramenta de marketing e não como instrumento de diagnóstico, perde-se a capacidade de corrigir rumos e garantir políticas públicas efetivas.  

 

A tentativa de impor uma lógica militarizada em algumas unidades escolares também revela uma compreensão equivocada do papel da educação. Disciplina pedagógica não se confunde com disciplina militar. A escola deve formar cidadãos críticos, não sujeitos obedientes.

 

O que está em jogo não é uma disputa política superficial. É o futuro de uma geração inteira. Quando se desmonta a educação pública, não se atinge apenas o professor — compromete-se o desenvolvimento social, econômico e humano do estado.

 

Defender a educação pública é defender investimento, valorização profissional, gestão democrática e respeito à comunidade escolar. Qualquer projeto que ignore esses fundamentos estará fadado a aprofundar desigualdades.

 

A educação de Mato Grosso precisa deixar de ser tratada como custo e passar a ser compreendida como investimento estratégico. Esse é o debate que precisa ser feito — com coragem, transparência e compromisso com o povo.


Por: Henrique Lopes - professor e presidente licenciado do SINTEP.


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

XIX Congresso Estadual do SINTEP MT fortalece a luta coletiva e reafirma a educação como direito humano.


Entre os dias 19, 20, 21 e 22 de fevereiro, a cidade de Cuiabá foi palco de um dos mais importantes momentos de reflexão, mobilização e fortalecimento da educação pública: o XIX Congresso Estadual do SINTEP-MT. Com o tema “Ressignificar o acesso à educação como direito humano”, o evento reuniu profissionais da educação das 15 regiões do estado de Mato Grosso, evidenciando a força da participação coletiva e o compromisso da categoria com a construção de uma escola pública democrática, inclusiva e socialmente referenciada.


O Congresso destacou-se pela expressiva presença de educadoras e educadores, que se deslocaram de diferentes municípios para contribuir com debates fundamentais sobre o cenário atual da educação mato-grossense. A pluralidade de vozes presentes reafirmou o papel transformador dos profissionais da educação, protagonistas na defesa de políticas públicas que garantam acesso, permanência e qualidade social do ensino para todos.


A programação foi marcada por apresentações culturais que valorizaram a identidade regional e reforçaram a educação como espaço de construção humana e social. Além disso, mesas de debate, grupos de trabalho e plenárias promoveram análises profundas das problemáticas enfrentadas pela rede pública, como valorização profissional, condições de trabalho, financiamento educacional, gestão democrática e garantia de direitos.


Mais do que apontar desafios, o Congresso construiu caminhos. Foram discutidas possíveis soluções e aprovadas deliberações que orientam a atuação sindical e pedagógica nos próximos anos, fortalecendo a luta por uma educação pública que respeite as diversidades, combata as desigualdades e se consolide como direito humano fundamental.


Vale ressaltar que o SINTEP é o único sindicato, no estado de Mato Grosso, que representa legalmente os profissionais da educação das redes estadual e municipal, desempenhando papel essencial na organização da categoria, na defesa de direitos e na valorização profissional. O movimento sindical, nesse contexto, mostra-se indispensável não apenas para assegurar melhores condições de trabalho aos educadores, mas também para garantir uma formação de qualidade aos estudantes, já que a valorização de quem ensina é condição básica para o sucesso de quem aprende.


O XIX Congresso Estadual reafirmou que a união da categoria é a principal ferramenta de transformação social. Ao promover diálogo, escuta, participação e construção coletiva, o evento consolidou-se como um espaço de resistência, proposição e esperança, fortalecendo a luta por uma educação pública de qualidade, inclusiva e verdadeiramente comprometida com a dignidade humana.


Ressignificar o acesso à educação como direito humano é, antes de tudo, reconhecer que educar é um ato coletivo, político e profundamente transformador.


Fonte: Secretaria de Comunicação SINTEP - Subsede de Juara

 

sábado, 2 de agosto de 2025

Prefeito Reage a Críticas com Ataques Pessoais: “Carta Fora do Baralho”


 

O prefeito de Juara, Nei Drogas, que recebeu o apelido de “prefeito de whasApp”, já mostrou que não é uma pessoa que lida bem com críticas e, dessa vez, a ex vereadora Sandy de Paula foi alvo de falas, consideradas por muitas pessoas, ofensivas e antidemocráticas.

 

Em uma entrevista concedida a TV Amplitude, o atual prefeito de Juara, disse que a ex vereadora, que foi presidente da Câmara e também candidata ao cargo executivo em pleito eleitoral com o atual prefeito, é carta fora do baralho.

 

Em mais um episódio de intolerância às críticas, o prefeito voltou a causar polêmica ao atacar sua ex-adversária política, Sandy De Paula — vereadora e ex-presidente da Câmara Municipal —, chamando-a de “carta fora do baralho”. A declaração, feita em resposta às críticas de Sandy sobre a condução da atual gestão, revela o tom autoritário que tem marcado o comportamento do chefe do Executivo diante de qualquer oposição.

 

Sandy De Paula, que disputou o último pleito municipal contra o atual prefeito, vem exercendo um papel ativo de fiscalização e cobrança, postura esperada de quem já ocupou cargos de destaque no Legislativo. Em vez de responder com argumentos ou apresentar resultados, o prefeito preferiu desqualificar a opositora, ignorando a legitimidade de sua atuação política e o direito à crítica em uma democracia.

 

A fala do prefeito não apenas tenta deslegitimar Sandy como opositora política, mas também como cidadã e envia um recado preocupante a qualquer voz dissonante: discordar é motivo para ser atacado pessoalmente. O uso da expressão “carta fora do baralho” reforça a ideia de que o prefeito busca restringir o jogo político aos que concordam com ele, excluindo os demais do debate público.

 

Para muitos, o episódio evidencia uma tentativa de enfraquecer a oposição por meio de ataques pessoais, em vez de fortalecer o debate com base em propostas e prestação de contas. Críticas fazem parte da democracia — e são essenciais para a transparência e melhoria da gestão pública.

 

 Episódios como este acendem o alerta sobre o clima político na cidade e a importância de preservar o espaço para o contraditório, o respeito institucional e a liberdade de expressão.

 

Sandy tem exercido seu papel de cidadã com firmeza — fiscalizando, denunciando irregularidades e cobrando ações concretas para a população. Em uma democracia, isso não apenas é legítimo: é necessário. A tentativa de desqualificar sua atuação com ofensas pessoais mostra que o prefeito parece confundir crítica com ameaça, oposição com inimigo.

 

A fala do prefeito é mais do que um deslize: é sintomática de uma gestão que recorre ao ataque sempre que confrontada com a realidade. A expressão “carta fora do baralho” é um claro desprezo pelo debate democrático e pela pluralidade de ideias — um sinal de que o prefeito prefere governar sem ser questionado, sem prestar contas, e sem aceitar o contraditório.

 

É dever da imprensa, das instituições e da sociedade repudiar esse tipo de postura. O cargo de prefeito exige equilíbrio, respeito e responsabilidade. Atacar uma ex-vereadora com histórico de serviços prestados, apenas por exercer seu direito de crítica, é um gesto pequeno de quem deveria pensar grande.

 

Em tempos em que a democracia é testada diariamente, atitudes como essa não podem passar despercebidas. O prefeito precisa entender que quem ocupa um cargo público está sujeito à cobrança e ao julgamento da população — inclusive daqueles que não concordam com ele.


Clique aqui e veja a resposta de Sandy ao ataque do prefeito.


quinta-feira, 3 de julho de 2025

Fala que caracteriza intolerância religiosa movimenta redes sociais em Juara.


Uma pessoa, que ainda não teve sua identidade revelada, chamou a atenção para um assunto que precisa ser mais debatido na atualidade.


Essa pessoa mandou uma mensagem para a página do instagram Juara MT reclamando que, em uma residência no bairro João de Barro, estavam acontecendo coisas estranhas. Segundo a publicação, no local estariam reunidas pessoas com falas, cantigas e barulhos estranhos e ainda fez uma menção a capoeira.


Rapidamente o caso virou assunto na cidade e algumas pessoas se pronunciaram contrarias a fala da pessoa em questão.


Alguns líderes de religiões afro descendentes de Juara se uniram em uma nota de repúdio que também foi publicada pela página Juara MT.


O Bàbáláwó Ifasinan Ódulajé Ajidagba, o Bàbá Daniel, dirigente do Templo da Boa Sorte, do Culto Tradicional Africano da cidade de Juara, gravou um vídeo em que repudia ações como essa que aconteceu em Juara e que, infelizmente, não é um caso isolado.


A intolerância religiosa é a falta de respeito e aceitação pelas crenças e práticas religiosas diferentes das próprias. Esse tipo de preconceito pode se manifestar de várias formas: desde discursos ofensivos e piadas discriminatórias até agressões físicas, vandalismo de templos e perseguição social ou institucionalizada.


Os motivos da intolerância religiosa estão enraizados, muitas vezes, na ignorância, no medo do diferente, no etnocentrismo (ideia de que apenas uma cultura ou religião é superior às demais) e na má interpretação de textos sagrados. Além disso, contextos históricos de dominação cultural e religiosa contribuíram para fortalecer o preconceito contra grupos religiosos minoritários. Em alguns casos, líderes políticos e religiosos também alimentam esse tipo de intolerância, usando a fé como ferramenta de manipulação e exclusão.


As consequências da intolerância religiosa são profundas e variadas. No nível individual, ela pode gerar sofrimento psicológico, exclusão social, violência e até a perda da liberdade de expressão e crença. No coletivo, prejudica a convivência pacífica entre diferentes grupos, aumenta os conflitos sociais e compromete os princípios democráticos de um Estado laico e plural. Além disso, a intolerância corrói valores fundamentais como o respeito, a empatia e a solidariedade, dificultando a construção de uma sociedade mais justa e harmoniosa.


Promover o diálogo inter-religioso, a educação para a diversidade e a valorização dos direitos humanos são caminhos fundamentais para combater a intolerância religiosa e garantir a convivência pacífica entre todas as crenças.


Clique aqui e veja o vídeo postado pelo Bàbà Daniel.

 

 

sexta-feira, 6 de junho de 2025

Amostras de materiais colhidos para biopsia são encontrados inutilizados no Hospital de Juara.


 

Na tarde dessa sexta-feira, 06 de junho, o vereador Markito fez um vídeo dentro do Hospital Municipal de Juara mostrando materiais coletados para fazer biopsia em estado inutilizáveis.


O videio causou uma revolta muito grande na população juarense. E não era pra menos!


Segundo o vereador Markito, mais de 50 amostras de material que deveria ser enviado para biopsia no ano passado serão descartadas e 40 são desse ano e estão em um freezer no hospital onde será feita uma análise para detectar se ainda está em condições de serem avaliados.


Na página do instagram do Hospital Municipal (@hmjelidiamaschietto) uma nota foi emitida onde a administração técnica e a nova direção administrativa do Hospital Municipal de Juara alegam que as coletas foram realizadas em gestão anterior e que os trâmites necessários não foram realizados, caracterizando assim uma grande falha de protocolo e vigilância.


Grande falha? Isso é, no mínimo, um absurdo!


Não há palavras que possam descrever tamanho descaso com a população juarense.


O prefeito municipal de Juara, Nei Drogas, ainda não se posicionou oficialmente sobre o caso. Estranhamente ele não foi ainda nos grupos de whatsApp para tentar se explicar, visto que já é conhecido como “o prefeito de whasttApp”. Mas esse é um assunto para outro artigo.


Muitas perguntas surgem nesse momento, tais como: A vigilância sanitária está desativada em Juara para não ter visto tamanho absurdo? Quem será responsabilizado? Como ficam as pessoas que estavam aguardando o resultado de biopsia? O prefeito vai alegar, mais uma vez, que não sabia e ignorar o fato de que era vice-prefeito na antiga gestão? Esse é o significado de “O trabalho continua” usado na campanha eleitoral do atual prefeito? O prefeito vai alegar que são meia dúzias de pessoas que não aceitam o resultado das eleições que estão com “brincadeira de mal gosto”, como ele disse há poucos dias?


Enfim, a verdade é que a saúde pública de Juara pede socorro e esse socorro precisa ser urgente.


Clique aqui e veja o vídeo na íntegra.

sexta-feira, 25 de abril de 2025

Professores pesquisadores da UNEMAT salvaguardam arcadas dentárias de animal pré-histórico extinto na era do gelo


Professores pesquisadores da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT), campus de Juara, salvaguardaram, nessa semana, um achado paleontológico da megafauna brasileira extremamente relevante para a comunidade científica e para o patrimônio nacional. Trata-se de arcadas dentárias que sugerem ser, preliminarmente, de Mastodonte, animal extinto na última era do gelo. O achado permanecerá sob a guarda permanente da UNEMAT/Museu do Vale do Arinos.


De acordo com Saulo Augusto de Moraes, professor pesquisador da UNEMAT e diretor do Museu do Vale do Arinos, “os achados de artefatos paleontológicos da megafauna brasileira são fundamentais para desvendar a história evolutiva, ecológica e climática do continente sul-americano, oferecendo insights valiosos sobre a biodiversidade extinta e suas interações com o ambiente. Esses fósseis, não apenas revelam a riqueza de espécies que habitaram o Brasil durante o Pleistoceno, mas também permitem reconstruir ecossistemas passados, entender processos de extinção em massa e analisar como mudanças climáticas drásticas impactaram a vida no planeta”.


De acordo com o professor pesquisador e diretor da UNEMAT, campus de Juara, Jairo Luís Fleck Falcão, “do ponto de vista científico, esses achados fortalecem a paleontologia nacional, posicionando o Brasil como um laboratório natural para pesquisas globais, enquanto, culturalmente, eles resgatam a identidade histórica regional, transformando-se em símbolos educativos que inspiram conscientização ambiental e orgulho patrimonial. A preservação desses artefatos também é vital para enfrentar desafios contemporâneos, como a crise climática, já que o estudo de respostas ecológicas do passado auxilia na previsão de cenários futuros. Contudo, a degradação de sítios paleontológicos por atividades humanas e a falta de investimentos nas universidades públicas, em pesquisa científica e em museus ameaçam esse legado, tornando urgentes políticas públicas que garantam a proteção, o estudo e a divulgação desses tesouros científicos, que são patrimônio não apenas do Brasil, mas da humanidade”.


O trabalho de resgate contou com a participação de indígenas Munduruku, especialmente o estudante da Unemat e bolsista vinculado ao Museu do Vale do Arinos, Bergson Kirixi Munduruku. Neste ponto, os profissionais citados argumentam sobre a importância de parcerias efetivas entre universidade pública, museu e povos indígenas para a preservação, estudo e valorização dos artefatos paleontológicos da megafauna brasileira, especialmente em regiões onde comunidades tradicionais têm contato direto com esses vestígios. A participação ativa dos povos indígenas na curadoria de acervos, como ocorre no Museu do Vale do Arinos, inaugurado em 2018, representa um avanço significativo nesse sentido, garantindo que descobertas feitas em territórios indígenas sejam imediatamente comunicadas a pesquisadores vinculados a instituições acadêmicas. Também frisam a importância do modelo jurídico inovador do Museu do Vale do Arinos, que assegura legalmente a participação indígena em processos museais e de gestão curatorial, que, além de evitar a perda de artefatos paleontológicos e arqueológicos, frequentemente expostos a riscos como saques e degradação ambiental, promove uma guarda mais cuidadosa e contextualizada, respeitando a relação cultural que essas comunidades mantêm com a terra e seus elementos históricos.


Ao incluir povos indígenas, o Museu do Vale do Arinos reconhece seus papeis de guardiões do patrimônio, transformando-os de meros "encontradores" em protagonistas da preservação, o que fortalece a confiança mútua e protege o patrimônio paleontológico – e arqueológico – nacional. Além disso, essa colaboração enriquece a pesquisa acadêmica, pois os conhecimentos tradicionais sobre a paisagem e os ciclos naturais complementam análises técnicas, oferecendo novas perspectivas sobre a distribuição e o significado ecológico da megafauna extinta. O sucesso do Museu do Vale do Arinos, cujos acervos foram em grande parte construídos por contribuições indígenas (incluindo-se povos do Parque Indígena Xingu), demonstra que a integração entre universidade, museu e povos indígena é um caminho viável para combater o tráfico ilegal de fósseis e de materiais arqueológicos, assegurando que descobertas sejam devidamente protegidas, estudadas e disponibilizadas à sociedade brasileira e internacional. No entanto, para que essa iniciativa inspire políticas públicas mais amplas, é urgente que governos (municipais, estaduais e federal) e agências de fomento ampliem investimentos para que não se dependa apenas de voluntarismo, mas consolide prática institucionalizada, capaz de proteger o patrimônio nacional como herança coletiva de todos.