quinta-feira, 11 de junho de 2026

TDIs e o Direito ao Reconhecimento: Entre a Expectativa da Lei e a Realidade da Carreira.

 


A fala de uma TDI (Técnica em Desenvolvimento Infantil) de Juara em uma Assembleia Pública realizada em Cuiabá, no dia 09 de junho e que contou com a presença da Deputada Federal Luciene Cavalcante, trouxe à tona importantes discussões sobre o reconhecimento profissional, a aplicação da legislação educacional, o papel das entidades sindicais e a responsabilidade perante afirmações que podem não condizer com fatos.


Em um vídeo gravado na Assembleia e que que circula em grupos de whatsapp a TDI expressa sua convicção de que a lei sancionada em 06 de janeiro valida sua identidade como professora. A fala da servidora reflete um anseio legítimo por reconhecimento e a complexidade das relações trabalhistas e representativas no setor da educação.


A Lei 15.326/2026, da qual a Deputada Federal Luciene Cavalcante é autora, "Somos Todas Professoras", busca reconhecer e valorizar o papel de profissionais que atuam na educação infantil como docentes, mas que, por vezes, não são formalmente enquadradas como tal. No entanto, é crucial analisar a aplicabilidade da legislação de forma criteriosa. A lei que regulamenta a carreira do magistério e define a função docente geralmente estabelece critérios claros para o enquadramento, que incluem a exigência de formação em nível superior (licenciatura) ou magistério e o exercício direto de atividades de docência em sala de aula. Atividades como planejamento de aulas, responsabilidades pedagógicas diretas, elaboração de relatórios de desempenho de alunos e preenchimento de diários de classe são intrínsecas à função docente.


Servidores que prestaram concurso com exigência de nível médio e cujas atribuições não envolvem diretamente o processo de ensino aprendizagem em sala de aula, como o acompanhamento e a mediação pedagógica, podem não ser enquadrados na mesma categoria funcional dos professores. É fundamental que a legislação seja interpretada e aplicada de acordo com os requisitos de ingresso na carreira e as atribuições efetivamente exercidas, evitando distorções que possam gerar insegurança jurídica ou desequilíbrio nas estruturas de carreira.


Durante seu momento da fala, a servidora acusou o SINTEP (Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público) e a presidente da subsede do sindicato em Juara de fechar as portas para as TDI’s.


É fundamental esclarecer que a alegação da servidora sobre um suposto "fechamento de portas" por parte do SINTEP não corresponde à realidade. A presidente da subsede do sindicato em Juara, Tatiane Vasseli, sempre manteve um diálogo respeitoso e aberto com todas as Trabalhadoras em Desenvolvimento Infantil (TDIs), assim como com todos os demais servidores da educação. A atuação do SINTEP, por meio de suas lideranças, é pautada pela defesa intransigente dos direitos de todos os seus filiados, e a entidade nunca se furtou a acolher e lutar por nenhum servidor, sendo um pilar fundamental na garantia de condições dignas de trabalho e valorização profissional. A estrutura do SINTEP é concebida para ser democrática e acessível, buscando sempre o diálogo e a construção coletiva de soluções para toda a categoria.


 O SINTEP é reconhecido como a única entidade sindical legítima e legalmente constituída para representar os trabalhadores da educação. Sua trajetória é marcada pela defesa intransigente dos direitos e interesses da categoria, abrangendo desde professores até demais servidores que atuam no ambiente escolar. O SINTEP, por sua natureza e histórico de mais de 60 anos, tem como missão acolher e lutar por todos os seus filiados, sendo um pilar fundamental na garantia de condições dignas de trabalho e valorização profissional.


As Assembleias Sindicais são o espaço democrático por excelência onde as decisões coletivas são tomadas. É nelas que os trabalhadores debatem as pautas, aprovam ou rejeitam propostas, elegem seus representantes e definem os rumos da luta. A máxima "quem não participa não delibera" é um princípio basilar do movimento sindical. A ausência nas assembleias significa a renúncia ao direito de voz e voto, deixando que as decisões sejam tomadas por aqueles que se fazem presentes.


A participação ativa e consciente é crucial para fortalecer o sindicato e garantir que as demandas de todas as subcategorias sejam ouvidas e consideradas. É na assembleia que as diferentes perspectivas se encontram, os argumentos são expostos e as deliberações refletem a vontade da maioria. Portanto, a mobilização e a presença dos servidores são indispensáveis para a construção de uma representação sindical forte e verdadeiramente representativa.


Em qualquer ambiente, e especialmente no contexto das relações trabalhistas e sindicais, a responsabilidade na comunicação é um valor inegociável. Acusações sem provas podem gerar danos irreparáveis à imagem e à credibilidade de indivíduos e instituições. A fala da servidora, ao mencionar que o sindicato "fechou as portas" e "descredibilizou" as TDIs, carece de elementos concretos que sustentem tais afirmações, especialmente considerando o histórico de diálogo e acolhimento da entidade e de suas lideranças, como a presidente Tatiane Vasseli.


É fundamental que qualquer denúncia ou crítica seja embasada em fatos e evidências, e que os canais adequados para a resolução de conflitos sejam utilizados. A busca por diálogo e a apresentação de provas são essenciais para a construção de um ambiente de respeito e confiança mútua. Acusações infundadas, além de prejudicarem a imagem dos envolvidos, podem desviar o foco das reais necessidades da categoria e fragilizar a unidade necessária para as lutas coletivas.


A situação apresentada pela servidora evidencia a necessidade contínua de diálogo, clareza na aplicação da legislação e fortalecimento da organização sindical. É imperativo que os servidores da educação compreendam os critérios de enquadramento funcional, participem ativamente das instâncias democráticas do sindicato e pautem suas discussões com base em informações precisas e comprovadas. Somente assim será possível avançar na defesa dos direitos e na valorização de todos os profissionais da educação, construindo um ambiente de trabalho justo e equitativo.



terça-feira, 9 de junho de 2026

ASSÉDIO MORAL NAS ESCOLAS: O Silêncio que Adoece os Educadores em Juara (MT)


O ambiente que deveria ser de acolhimento e construção do saber transformou-se em um cenário de medo, isolamento e adoecimento para profissionais da educação em Juara. Relatos de professores e servidores apontam para uma crise silenciosa provocada por práticas sistemáticas de possível assédio moral cometidas por gestores escolares. O quadro é agravado, segundo denúncias, pela inércia e omissão da Secretaria Municipal de Educação, que tem falhado em fiscalizar e punir os abusos de poder e essa não é a primeira vez que falamos desse problema aqui no Blog.

Longe de ser uma cobrança administrativa comum, o possível assédio moral nas unidades de ensino de Juara tem se manifestado de forma perversa. Sob a justificativa de "cumprimento de metas", diretores e coordenadores utilizam ferramentas de humilhação pública e vigilância obsessiva para desestabilizar servidores.

Entre as condutas mais frequentes apontadas por profissionais da área estão:

  • Exposição e Humilhação: Críticas severas e desqualificações direcionadas ao trabalho dos professores em reuniões pedagógicas, diante do corpo docente; assim como exposição dos servidores por atestados médicos.
  • Avaliação Punitiva: Utilização de critérios pessoais e não pedagógicos para avaliação de servidores contratados.

“Se você critica e cobra qualquer coisa da gestão sua avaliação é diferente daqueles que se calam”.

"Você entra na escola já tremendo, sabendo que qualquer palavra sua será monitorada e distorcida pela direção. O sentimento é de total desamparo".

São estes os relatos de educadores da rede municipal que preferem não se identificar, por medo de represálias.

O impacto dessas práticas ultrapassa os muros das escolas e atinge a vida pessoal dos trabalhadores. Psicólogos e juristas alertam que o assédio contínuo ataca diretamente a dignidade e a saúde mental do trabalhador, gerando sequelas profundas.

A rotina de abusos tem cobrado um preço alto na rede de ensino:

  • Evolução para a Síndrome De Burnout: Os educadores relatam quadro de esgotamento físico e emocional, associado ao surgimento de sintomas como ansiedade intensa, episódios depressivos e outros agravos à saúde mental.
  • Perda da Identidade Profissional: O medo constante de retaliações destrói a autoconfiança pedagógica, transformando profissionais criativos em reprodutores de tarefas acuados.
  • Explosão de Licenças Médicas: Em decorrência dos danos a saúde mental, os corpos e mentes dos servidores entram em colapso devido à pressão psicológica, aumentando o número de atestados e licenças.

O ponto mais crítico da denúncia reside na postura da Secretaria Municipal de Educação de Juara e o Chefe Do Executivo, que ao invés de agirem como fiscalizadores, protegendo a saúde e ambiente de trabalho dos servidores, parecem manter uma postura de inércia institucional.

A ausência de respostas e canais seguros de denúncia alimenta uma estrutura de impunidade. Reclamações que chegam à pasta costumam enfrentar barreiras burocráticas ou o completo engavetamento.

O resultado é a revitimização do trabalhador, que ao tentar denunciar o abuso, ouve que "não sabe lidar com a pressão do cargo" ou que “é uma pessoa difícil de conviver”.

Frente ao silêncio das autoridades municipais, a orientação de especialistas e órgãos de defesa é para que os educadores busquem amparo em instâncias externas. O Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (SINTEP-MT) tem sido o principal anteparo político e jurídico na região para acolher os servidores lesados, visto que é o único representante legal da categoria.

Além disso, juristas reforçam que o assédio moral praticado por gestor público fere os princípios da moralidade e da legalidade, podendo configurar Ato de Improbidade Administrativa. A recomendação para as vítimas é a formalização de denúncias munidas de provas materiais (como áudios, mensagens e e-mails de teor abusivo) diretamente ao Ministério Público do Estado de Mato Grosso – MPE/MT e à Ouvidoria Geral do Estado – CGE/MT (no caso de servidores estaduais), esferas capazes de forçar uma auditoria externa e responsabilizar tanto os gestores abusivos quanto os secretários coniventes.

Nas relações de trabalho regidas pela CLT, a Norma Regulamentadora nº 01 (NR-1) passou a incluir expressamente os fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). Seus princípios podem ser adotados pela Administração Pública como instrumento de proteção aos servidores e melhoria das condições laborais.

No âmbito do serviço público, a NR-01 orienta a identificação, avaliação e controle dos riscos existentes nos ambientes de trabalho, incluindo riscos físicos, ergonômicos, psicossociais e organizacionais. Além disso, incentiva a implementação de medidas preventivas, capacitações e ações voltadas à promoção da saúde e da segurança dos trabalhadores.

Dessa forma, a aplicação dos princípios da NR-01 no serviço público contribui para a redução de adoecimentos ocupacionais, favorecendo ambientes mais seguros, produtivos e saudáveis. Como resultado, fortalece-se a valorização dos servidores e a eficiência na prestação dos serviços à sociedade.

Fica o questionamento: Até quando essa situação vai acontecer sem que as devidas providências sejam adotadas pelos responsáveis?

A Secretaria Municipal de Educação e o chefe do executivo não podem ignorar esta realidade e a discussão de um tema tão importante.

Vale ressaltar que a compra e entrega de materiais didáticos, por si só, não representam qualidade de ensino e valorização profissional.

O Blog Politizada está à disposição das autoridades competentes, caso queiram se manifestar, mas espera, sinceramente, que providencias sejam tomadas para garantir que esse tipo de situação aqui expostas sejam sanadas e os profissionais da educação tenham, sua dignidade e respeito garantidos.

 

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Mato Grosso em disputa: a direita briga entre si enquanto a centro-esquerda assiste.


Depois de quase sete anos de governo, Mauro Mendes não apenas administra Mato Grosso — ele ajudou a moldar o ambiente político que hoje domina o estado. Um ambiente em que a direita não só governa, como dita o tom, o ritmo e os limites do debate público.


Não se trata apenas de gestão. Trata-se de projeto.


Ancorado no discurso da eficiência fiscal e respaldado por setores poderosos do agronegócio, Mendes consolidou uma base não sólida e ideologicamente alinhada. Em muitos momentos, seu governo caminhou lado a lado com pautas da direita mais dura, contribuindo para transformar Mato Grosso em um dos territórios mais fiéis ao bolsonarismo no país.


O resultado é visível: o debate público encolheu. Questões como educação, direitos sociais e inclusão passaram a ser tratadas sob permanente tensão — o endividamento dos servidores públicos através de consignados sob fortes suspeitas de ligação ao caso MASTER ou quando não, simplesmente empurradas para segundo plano.


Há, claro, quem celebre os números fiscais e a reorganização das contas. Mas há também um custo político e social que não pode ser ignorado: servidores pressionados, políticas públicas fragilizadas e um distanciamento cada vez maior entre governo e setores organizados da sociedade.


Ainda assim, Mauro Mendes chega ao fim de seu ciclo medindo força. E mais: como peça central na sucessão estadual e potencial candidato ao Senado. O poder, neste momento, continua orbitando ao seu redor.


Há um detalhe importante — e revelador.


A principal disputa em Mato Grosso hoje não é entre direita e esquerda. É dentro da própria direita.


A movimentação do senador Jayme Campos escancara essa realidade. Ao se colocar como possível candidato ao governo, enfrentando o grupo de Mendes no mesmo campo político, ele expõe fissuras que estavam apenas disfarçadas. Não é ruptura ideológica. É disputa por espaço, influência e comando.


E mesmo com esse racha, nada indica mudança de hegemonia. Mesmo com as cotoveladas em palanque e a disputa com o senador Wellington Fagundes pelas bençãos de Flávio Bolsonaro. A direita continua sobrando no jogo.


Do outro lado, o silêncio incomoda.


A centro-esquerda, que em outros momentos teve protagonismo e capacidade de mobilização, hoje patina. Falta nome, falta estratégia, falta, sobretudo, capacidade de se apresentar como alternativa real de poder. O campo existe — mas não se materializa eleitoralmente.


E esse vazio cobra seu preço.


Sem um contraponto competitivo, o debate se estreita. A eleição deixa de ser confronto de projetos e passa a ser uma disputa interna entre grupos que pensam, em grande medida, o estado sob a mesma lógica.


O eleitor, diante disso, não escolhe entre caminhos distintos. Escolhe entre variações de um mesmo rumo.


As eleições deste ano, portanto, dizem menos sobre mudança e mais sobre continuidade. A encruzilhada existe — mas, até aqui, apenas um dos lados parece saber exatamente para onde quer ir.


Se nada mudar, Mato Grosso não terá uma disputa de projetos. Terá apenas uma troca de comando dentro do mesmo campo político.


E isso, para a democracia, é sempre um sinal de alerta.

 

Por: Luiz Carlos Benitt, jornalista político.

sábado, 18 de abril de 2026

Professora denuncia possível assédio moral em escola da rede municipal de Juara MT.


 

Uma professora da rede municipal de educação de Juara, que preferiu manter o anonimato por medo de retaliações, denunciou estar sofrendo possíveis episódios de assédio moral por parte da diretora da unidade escolar onde trabalha. Segundo relato da docente, as situações de constrangimento e hostilidade vêm ocorrendo desde o ano letivo passado.


De acordo com a professora, a diretora teria protagonizado episódios de desrespeito em ambientes públicos da escola, incluindo gritos nos corredores, causando constrangimento diante de colegas e alunos. Em uma das ocasiões, a gestora teria afirmado que a professora “não é bem-vinda na escola” e que precisaria “recorrer a orações”.


A professora afirma que, diante da recorrência das situações, passou a registrar os episódios por meio de gravações, como forma de comprovar a conduta denunciada. Segundo ela, o ambiente de trabalho vem se tornando cada vez mais hostil, impactando diretamente seu bem-estar profissional e emocional.


Ainda de acordo com a docente, houve uma tentativa de buscar solução administrativa para o conflito, diretamente com à coordenação da escola, para expor e registrar as ocorrências. No entanto, não foi atendida.


O caso levanta discussões sobre o ambiente de trabalho nas instituições públicas de ensino e a importância de canais efetivos para acolhimento e apuração de denúncias.


Especialistas na área de relações de trabalho destacam que situações de exposição, humilhação ou tratamento desrespeitoso reiterado podem configurar assédio moral, sendo passíveis de investigação administrativa, abertura de sindicância e, em casos específicos, procedimento administrativo disciplinar.


Até o momento, não há informações sobre posicionamento oficial da direção da escola ou da Secretaria Municipal de Educação acerca das denúncias, mesmo após comunicação formal do ocorrido, há mais de vinte dias, diretamente na Secretaria de Educação.


A professora diz estar na espera de que algo seja feito para sanar esse tipo de situação e garantir um ambiente de trabalho saudável pois isso é fundamental para o bem-estar dos profissionais e para a qualidade dos resultados alcançados por qualquer instituição.


Garantir um espaço livre de assédio moral não é apenas uma questão ética, mas também uma responsabilidade legal e humana.

Educação não é planilha: o saldo preocupante da gestão Mauro Mendes em Mato Grosso.


 

A história recente da educação pública em Mato Grosso precisa ser contada com honestidade e compromisso com quem vive o chão da escola. Ao longo dos últimos anos, o que se viu não foi um projeto educacional estruturado, mas uma condução marcada por decisões administrativas frias, distantes da realidade de estudantes, professores e comunidades escolares.

 

Sob o discurso de modernização e eficiência, a gestão estadual promoveu mudanças que fragilizaram pilares históricos da educação pública. Um dos exemplos mais simbólicos foi o enfraquecimento da gestão democrática nas escolas, retirando da comunidade escolar o direito de participar das decisões. Isso rompe com um princípio essencial: educação se constrói coletivamente, não se impõe por decreto.

 

Outro aspecto preocupante foi o fechamento de unidades escolares e a chamada política de “redimensionamento”, que transferiu responsabilidades aos municípios sem a devida garantia de estrutura e financiamento. O resultado é conhecido: sobrecarga das redes municipais, dificuldade de acesso para estudantes e prejuízos diretos ao processo de ensino aprendizagem. 

 

Na valorização dos profissionais, o cenário também é crítico. A política de recomposição salarial não acompanhou as perdas acumuladas, gerando defasagens significativas. Professores e trabalhadores da educação passaram a conviver com um modelo que privilegia metas e gratificações em detrimento da carreira estruturada, aprofundando a precarização e o adoecimento da categoria.  

 

Além disso, assistimos à padronização do ensino por meio de sistemas apostilados e modelos engessados, que reduzem a autonomia pedagógica e transformam o professor em mero executor de conteúdos. Educação não pode ser tratada como linha de produção. Cada escola tem sua identidade, cada estudante tem sua realidade.

 

Outro ponto grave diz respeito à transparência. Há denúncias de manipulação de indicadores educacionais para criar uma percepção artificial de avanço. Quando dados são utilizados como ferramenta de marketing e não como instrumento de diagnóstico, perde-se a capacidade de corrigir rumos e garantir políticas públicas efetivas.  

 

A tentativa de impor uma lógica militarizada em algumas unidades escolares também revela uma compreensão equivocada do papel da educação. Disciplina pedagógica não se confunde com disciplina militar. A escola deve formar cidadãos críticos, não sujeitos obedientes.

 

O que está em jogo não é uma disputa política superficial. É o futuro de uma geração inteira. Quando se desmonta a educação pública, não se atinge apenas o professor — compromete-se o desenvolvimento social, econômico e humano do estado.

 

Defender a educação pública é defender investimento, valorização profissional, gestão democrática e respeito à comunidade escolar. Qualquer projeto que ignore esses fundamentos estará fadado a aprofundar desigualdades.

 

A educação de Mato Grosso precisa deixar de ser tratada como custo e passar a ser compreendida como investimento estratégico. Esse é o debate que precisa ser feito — com coragem, transparência e compromisso com o povo.


Por: Henrique Lopes - professor e presidente licenciado do SINTEP.


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

XIX Congresso Estadual do SINTEP MT fortalece a luta coletiva e reafirma a educação como direito humano.


Entre os dias 19, 20, 21 e 22 de fevereiro, a cidade de Cuiabá foi palco de um dos mais importantes momentos de reflexão, mobilização e fortalecimento da educação pública: o XIX Congresso Estadual do SINTEP-MT. Com o tema “Ressignificar o acesso à educação como direito humano”, o evento reuniu profissionais da educação das 15 regiões do estado de Mato Grosso, evidenciando a força da participação coletiva e o compromisso da categoria com a construção de uma escola pública democrática, inclusiva e socialmente referenciada.


O Congresso destacou-se pela expressiva presença de educadoras e educadores, que se deslocaram de diferentes municípios para contribuir com debates fundamentais sobre o cenário atual da educação mato-grossense. A pluralidade de vozes presentes reafirmou o papel transformador dos profissionais da educação, protagonistas na defesa de políticas públicas que garantam acesso, permanência e qualidade social do ensino para todos.


A programação foi marcada por apresentações culturais que valorizaram a identidade regional e reforçaram a educação como espaço de construção humana e social. Além disso, mesas de debate, grupos de trabalho e plenárias promoveram análises profundas das problemáticas enfrentadas pela rede pública, como valorização profissional, condições de trabalho, financiamento educacional, gestão democrática e garantia de direitos.


Mais do que apontar desafios, o Congresso construiu caminhos. Foram discutidas possíveis soluções e aprovadas deliberações que orientam a atuação sindical e pedagógica nos próximos anos, fortalecendo a luta por uma educação pública que respeite as diversidades, combata as desigualdades e se consolide como direito humano fundamental.


Vale ressaltar que o SINTEP é o único sindicato, no estado de Mato Grosso, que representa legalmente os profissionais da educação das redes estadual e municipal, desempenhando papel essencial na organização da categoria, na defesa de direitos e na valorização profissional. O movimento sindical, nesse contexto, mostra-se indispensável não apenas para assegurar melhores condições de trabalho aos educadores, mas também para garantir uma formação de qualidade aos estudantes, já que a valorização de quem ensina é condição básica para o sucesso de quem aprende.


O XIX Congresso Estadual reafirmou que a união da categoria é a principal ferramenta de transformação social. Ao promover diálogo, escuta, participação e construção coletiva, o evento consolidou-se como um espaço de resistência, proposição e esperança, fortalecendo a luta por uma educação pública de qualidade, inclusiva e verdadeiramente comprometida com a dignidade humana.


Ressignificar o acesso à educação como direito humano é, antes de tudo, reconhecer que educar é um ato coletivo, político e profundamente transformador.


Fonte: Secretaria de Comunicação SINTEP - Subsede de Juara

 

sábado, 2 de agosto de 2025

Prefeito Reage a Críticas com Ataques Pessoais: “Carta Fora do Baralho”


 

O prefeito de Juara, Nei Drogas, que recebeu o apelido de “prefeito de whasApp”, já mostrou que não é uma pessoa que lida bem com críticas e, dessa vez, a ex vereadora Sandy de Paula foi alvo de falas, consideradas por muitas pessoas, ofensivas e antidemocráticas.

 

Em uma entrevista concedida a TV Amplitude, o atual prefeito de Juara, disse que a ex vereadora, que foi presidente da Câmara e também candidata ao cargo executivo em pleito eleitoral com o atual prefeito, é carta fora do baralho.

 

Em mais um episódio de intolerância às críticas, o prefeito voltou a causar polêmica ao atacar sua ex-adversária política, Sandy De Paula — vereadora e ex-presidente da Câmara Municipal —, chamando-a de “carta fora do baralho”. A declaração, feita em resposta às críticas de Sandy sobre a condução da atual gestão, revela o tom autoritário que tem marcado o comportamento do chefe do Executivo diante de qualquer oposição.

 

Sandy De Paula, que disputou o último pleito municipal contra o atual prefeito, vem exercendo um papel ativo de fiscalização e cobrança, postura esperada de quem já ocupou cargos de destaque no Legislativo. Em vez de responder com argumentos ou apresentar resultados, o prefeito preferiu desqualificar a opositora, ignorando a legitimidade de sua atuação política e o direito à crítica em uma democracia.

 

A fala do prefeito não apenas tenta deslegitimar Sandy como opositora política, mas também como cidadã e envia um recado preocupante a qualquer voz dissonante: discordar é motivo para ser atacado pessoalmente. O uso da expressão “carta fora do baralho” reforça a ideia de que o prefeito busca restringir o jogo político aos que concordam com ele, excluindo os demais do debate público.

 

Para muitos, o episódio evidencia uma tentativa de enfraquecer a oposição por meio de ataques pessoais, em vez de fortalecer o debate com base em propostas e prestação de contas. Críticas fazem parte da democracia — e são essenciais para a transparência e melhoria da gestão pública.

 

 Episódios como este acendem o alerta sobre o clima político na cidade e a importância de preservar o espaço para o contraditório, o respeito institucional e a liberdade de expressão.

 

Sandy tem exercido seu papel de cidadã com firmeza — fiscalizando, denunciando irregularidades e cobrando ações concretas para a população. Em uma democracia, isso não apenas é legítimo: é necessário. A tentativa de desqualificar sua atuação com ofensas pessoais mostra que o prefeito parece confundir crítica com ameaça, oposição com inimigo.

 

A fala do prefeito é mais do que um deslize: é sintomática de uma gestão que recorre ao ataque sempre que confrontada com a realidade. A expressão “carta fora do baralho” é um claro desprezo pelo debate democrático e pela pluralidade de ideias — um sinal de que o prefeito prefere governar sem ser questionado, sem prestar contas, e sem aceitar o contraditório.

 

É dever da imprensa, das instituições e da sociedade repudiar esse tipo de postura. O cargo de prefeito exige equilíbrio, respeito e responsabilidade. Atacar uma ex-vereadora com histórico de serviços prestados, apenas por exercer seu direito de crítica, é um gesto pequeno de quem deveria pensar grande.

 

Em tempos em que a democracia é testada diariamente, atitudes como essa não podem passar despercebidas. O prefeito precisa entender que quem ocupa um cargo público está sujeito à cobrança e ao julgamento da população — inclusive daqueles que não concordam com ele.


Clique aqui e veja a resposta de Sandy ao ataque do prefeito.