Não é
de hoje que a sociedade juarense acompanha a novela do Museu do Vale do Arinos,
sediado na praça dos colonizadores, centro da cidade. Se trata de mais uma
irresponsabilidade da prefeitura municipal de Juara, desde a gestão Carlos
Sirena, até a atual, como nos afirma Saulo Augusto de Moraes, seu atual
diretor.
O
Museu do Vale do Arinos é uma instituição pública do município de Juara, criada
por lei municipal. Saulo faz questão de frisar que o museu não é uma
instituição da UNEMAT, como muitos pensam. A UNEMAT é apenas uma parceira de
gestão, com foco voltado ao campo científico do museu e produção de acervos. A
responsabilidade legal pelo financiamento do Museu do Vale do Arinos é do
município de Juara.
Contudo,
desde sua fundação o Museu do Vale do Arinos enfrenta percalços financeiros
severos e falta de servidores. De acordo com Saulo, isso é um reflexo da falta
de vontade e de compromisso político das gestões municipais, de antes e de
agora, para com o museu, para com o setor cultural e para com a população.
Outros fatores como: remanejamentos de recursos da cultura para outros fins e
setores, má gestão municipal da cultura, falta de pessoal qualificado para
escrita e gestão de projetos, ausência de planejamento adequado, entre outros,
intensificam o sucateamento do museu.
Saulo
explica que desde o início de 2025 já esteve em mais de cinco reuniões com o
prefeito Ney, com o vice-prefeito Leo Boy e com o chefe de gabinete Cido Silva,
e absolutamente nada foi resolvido para que o museu pudesse funcionar de
maneira regular para a sociedade. Essa enrolação política, aparentemente
intencional, é algo grave, pois representa a incapacidade de planejamento
público da equipe de gestão municipal, bem como sinaliza para uma prática de
improbidade se tornando corriqueira, comum.
Saulo
explica ainda que o museu segue com suas portas fechadas desde 2024, apesar de
manter trabalhos internos de pesquisa, de recebimento e catalogação de acervos,
de atividades educativas em visitas guiadas pontuais, visitas técnicas de
estudantes, através de seus colaboradores cientistas, bolsistas e voluntários,
indígenas e não indígenas. A última dessas visitas guiadas ocorreu em 31/05 do
presente ano, a qual teve mais de 70 estudantes da UNEMAT realizando minicurso
e oficina, registro audiovisual e ações de protesto contra a situação
deplorável do museu.
Apesar
do criador da lei municipal que instituiu o Museu do Vale do Arinos ter sido o então
vereador Leo Boy, hoje prefeito em exercício, nenhuma ação efetiva tem sido
tomada por parte dele e de sua equipe de gestão, para sanar estes problemas.
Nenhum planejamento efetivo, nenhuma solução apresentada. O prejuízo, como
sempre, é dos contribuintes juarenses que continuam impedidos de visitar as
coleções do museu, como afirma Saulo. O turista não encontra um cartão postal
no centro da praça dos colonizadores, mas sim um prédio sucateado e
esteticamente prejudicado, o que dá a impressão de coisa suja.
Segundo
Saulo as tentativas de acordo pacífico com a atual gestão municipal têm sido
constantes, mas sem êxito, apesar desse acordo ser algo esperado pelo
Ministério Público. Sobre isso, Saulo afirma que se a gestão municipal não
apresentar soluções efetivas para os problemas do museu, em breve novas
denúncias serão protocoladas na Promotoria de Justiça de Juara, devendo estas
ser incluídas junto ao processo já em andamento contra a gestão Carlos Sirena.
Também o prédio do Museu do Vale do Arinos voltará a ser utilizado como alojamento para estudantes indígenas, uma vez que o prédio em si precisa cumprir função social e, uma vez que o prédio é do museu, e não da prefeitura, conforme a lei que garante sede própria e exclusiva na praça dos colonizadores, portanto não cabendo interferência da prefeitura nessa decisão – e o fato de o prédio do museu vir a se tornar alojamento indígena, não interfere em nada no funcionamento interno do museu, como já ocorre hoje. Conforme afirma Saulo, o museu pode oferecer esse tipo de suporte, e não depende de autorização externa, nem de autorização de políticos ou da prefeitura, sendo essa uma decisão exclusiva do próprio museu – e há significativo arcabouço jurídico que apoia isso.
Como estratégia pública, Saulo afirma produzir um expressivo abaixo assinado para corroborar e cobrar junto ao MP a urgente necessidade de abertura e funcionamento regular do Museu do Vale do Arinos, a inclusão do museu no orçamento municipal, contratação de servidores, de vigias e de zelador, bem como responsabilizar os responsáveis pela trágica situação do museu, desde a gestão municipal anterior.
Saulo frisa que já são quase uma década de má gestão municipal no tocante ao museu e que é inaceitável isso continuar se prolongando. A cobrança sobre o Ministério Público, junto à Promotoria de Justiça de Juara, também será contundente, pois é necessário que o órgão responsabilize judicialmente o ex-prefeito e o atual, no tocante aos graves problemas que atingem o Museu do Vale do Arinos, o impedindo de seu funcionamento regular e cumprimento de sua função pública.
Por
fim, Saulo esclarece que essa publicação não tem cunho político-partidário, mas
informativo. Frisa não ter nenhuma animosidade, inimizade ou conflito com quem
quer que seja da gestão municipal. Mas que frente ao compromisso que possui com
o museu, com a cultura local, sempre se dedicando de forma voluntária para que
a população juarense possa ter seus espaços de cultura e de museu qualificados,
se vê obrigado a informar a população juarense de tempos em tempos.


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