O ambiente que deveria ser de acolhimento e construção do saber transformou-se em um cenário de medo, isolamento e adoecimento para profissionais da educação em Juara. Relatos de professores e servidores apontam para uma crise silenciosa provocada por práticas sistemáticas de possível assédio moral cometidas por gestores escolares. O quadro é agravado, segundo denúncias, pela inércia e omissão da Secretaria Municipal de Educação, que tem falhado em fiscalizar e punir os abusos de poder e essa não é a primeira vez que falamos desse problema aqui no Blog.
Longe de ser uma cobrança administrativa comum, o possível assédio moral nas unidades de ensino de Juara tem se manifestado de forma perversa. Sob a justificativa de "cumprimento de metas", diretores e coordenadores utilizam ferramentas de humilhação pública e vigilância obsessiva para desestabilizar servidores.
Entre as condutas mais frequentes apontadas por profissionais da área estão:
- Exposição
e Humilhação: Críticas severas e desqualificações
direcionadas ao trabalho dos professores em reuniões pedagógicas, diante do
corpo docente; assim como exposição dos servidores por atestados médicos.
- Avaliação Punitiva: Utilização de critérios pessoais e não pedagógicos para avaliação de servidores contratados.
“Se você critica e cobra qualquer coisa da gestão sua avaliação é diferente daqueles que se calam”.
"Você entra na escola já tremendo, sabendo que qualquer palavra sua será monitorada e distorcida pela direção. O sentimento é de total desamparo".
São estes os relatos de educadores da rede municipal que preferem não se identificar, por medo de represálias.
O impacto dessas práticas ultrapassa os muros das escolas e atinge a vida pessoal dos trabalhadores. Psicólogos e juristas alertam que o assédio contínuo ataca diretamente a dignidade e a saúde mental do trabalhador, gerando sequelas profundas.
A rotina de abusos tem cobrado um preço alto na rede de ensino:
- Evolução
para a Síndrome De Burnout: Os educadores relatam
quadro de esgotamento físico e emocional, associado ao surgimento de
sintomas como ansiedade intensa, episódios depressivos e outros agravos à
saúde mental.
- Perda
da Identidade Profissional: O medo constante de
retaliações destrói a autoconfiança pedagógica, transformando
profissionais criativos em reprodutores de tarefas acuados.
- Explosão de Licenças Médicas: Em decorrência dos danos a saúde mental, os corpos e mentes dos servidores entram em colapso devido à pressão psicológica, aumentando o número de atestados e licenças.
O ponto mais crítico da denúncia reside na postura da Secretaria Municipal de Educação de Juara e o Chefe Do Executivo, que ao invés de agirem como fiscalizadores, protegendo a saúde e ambiente de trabalho dos servidores, parecem manter uma postura de inércia institucional.
A ausência de respostas e canais seguros de denúncia alimenta uma estrutura de impunidade. Reclamações que chegam à pasta costumam enfrentar barreiras burocráticas ou o completo engavetamento.
O resultado é a revitimização do trabalhador, que ao tentar denunciar o abuso, ouve que "não sabe lidar com a pressão do cargo" ou que “é uma pessoa difícil de conviver”.
Frente ao silêncio das autoridades municipais, a orientação de especialistas e órgãos de defesa é para que os educadores busquem amparo em instâncias externas. O Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (SINTEP-MT) tem sido o principal anteparo político e jurídico na região para acolher os servidores lesados, visto que é o único representante legal da categoria.
Além disso, juristas reforçam que o assédio moral praticado por gestor público fere os princípios da moralidade e da legalidade, podendo configurar Ato de Improbidade Administrativa. A recomendação para as vítimas é a formalização de denúncias munidas de provas materiais (como áudios, mensagens e e-mails de teor abusivo) diretamente ao Ministério Público do Estado de Mato Grosso – MPE/MT e à Ouvidoria Geral do Estado – CGE/MT (no caso de servidores estaduais), esferas capazes de forçar uma auditoria externa e responsabilizar tanto os gestores abusivos quanto os secretários coniventes.
Nas relações de trabalho regidas pela CLT, a Norma Regulamentadora nº 01 (NR-1) passou a incluir expressamente os fatores de riscos psicossociais relacionados ao trabalho no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). Seus princípios podem ser adotados pela Administração Pública como instrumento de proteção aos servidores e melhoria das condições laborais.
No âmbito do serviço público, a NR-01 orienta a identificação, avaliação e controle dos riscos existentes nos ambientes de trabalho, incluindo riscos físicos, ergonômicos, psicossociais e organizacionais. Além disso, incentiva a implementação de medidas preventivas, capacitações e ações voltadas à promoção da saúde e da segurança dos trabalhadores.
Dessa forma, a aplicação dos princípios da NR-01 no serviço público contribui para a redução de adoecimentos ocupacionais, favorecendo ambientes mais seguros, produtivos e saudáveis. Como resultado, fortalece-se a valorização dos servidores e a eficiência na prestação dos serviços à sociedade.
Fica o questionamento: Até quando essa situação vai acontecer sem que as devidas providências sejam adotadas pelos responsáveis?
A Secretaria Municipal de Educação e o chefe do executivo não podem ignorar esta realidade e a discussão de um tema tão importante.
Vale ressaltar que a compra e entrega de materiais didáticos, por si só, não representam qualidade de ensino e valorização profissional.
O
Blog Politizada está à disposição das autoridades competentes, caso queiram se
manifestar, mas espera, sinceramente, que providencias sejam tomadas para
garantir que esse tipo de situação aqui expostas sejam sanadas e os
profissionais da educação tenham, sua dignidade e respeito garantidos.


Quem vive a educação no dia a dia sabe o quanto um ambiente de trabalho saudável faz diferença. Respeito, diálogo e valorização não deveriam ser exceção, mas regra. Nenhum profissional deveria adoecer por exercer sua função. Que os fatos sejam apurados e que a saúde e a dignidade dos educadores sejam sempre preservadas.
ResponderExcluirComo profissional da educação, fico triste ao ler relatos como esses. A escola deveria ser um ambiente de acolhimento, parceria e crescimento, tanto para os alunos quanto para os servidores. Cobranças fazem parte do trabalho, mas jamais podem ultrapassar os limites do respeito e da dignidade humana. Espero que toda situação seja devidamente apurada e que possamos construir ambientes de trabalho mais saudáveis, onde o diálogo, a empatia e a valorização profissional sejam prioridades.
ResponderExcluirISSO E MUITO REAL!
ResponderExcluirFui vítima desse abuso uma direção que só quer que o funcionário faça o serviço não vê melhorias de ambiente de trabalho pro funcionário ( a sensação é faça e calada, pois estou te observando ) uma pressão psicológica absurda. No meu caso saí com acompanhamento pra psicólogo e remédio de anciedade.
Os contratados são tratados como sem utilidade pro órgão, mas trabalhamos tanto quando os contratados. DEPRIMENTE!
Uma vergonha para o município de Juara e pressão encima de pressão e ele não dão suporte algum aos professores tem professor adoecendo dentro de escola e sentindo obrigado a abandonar a profissão que tanto ama por negligência falta de apoio e estrutura e muito mas e muito triste ver professores que amam sua profissão desistir das salas de aulas por negligência da prefeitura e seus secretariado e até funcionários de limpeza e cozinha vem sofrendo com essas pressões
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