Em
meio ao rastro de reclamações que cercam a atual gestão de Juara na
administração pública, surge um novo e grave capítulo. No dia 12 de agosto, o
presidente do Conselho Curador do Museu do Vale do Arinos protocolou uma
denúncia junto à Promotoria de Justiça da comarca. A ação aciona o Ministério
Público Estadual para investigar fatos alarmantes ligados ao patrimônio do
museu.
Conforme
relatado por Saulo Augusto de Moraes, foi-lhe informado pelo atual diretor do
Museu do Vale do Arinos, Gustavo Paim, que determinado bem patrimonial
vinculado à instituição teria sido retirado de suas dependências de forma arbitrária
e sem a devida autorização. Segundo Saulo, a conduta, caso confirmada, poderá
configurar violação aos princípios que regem a Administração Pública e, a
depender das circunstâncias apuradas, apresentar eventual repercussão na esfera
criminal.
Trata-se
de um vaso de cerâmica de grandes dimensões, anteriormente instalado na área
externa frontal do Museu do Vale do Arinos, onde desempenhava função integrante
da composição espacial da instituição. O objeto, além de constituir elemento
permanente do espaço externo do Museu, integra seu patrimônio histórico e
cultural, compondo a configuração da instituição enquanto espaço museal desde
2018.
Diante
dos fatos, foi requerido à Promotoria de Justiça de Juara que determine a
imediata restituição do referido bem ao Museu do Vale do Arinos, ao mesmo local
e nas mesmas condições em que se encontrava antes de sua retirada, de modo a
assegurar a preservação integral de suas características, de sua integridade
física e de sua finalidade institucional.
Paralelamente,
foi solicitado ao Ministério Público a apuração de eventual caracterização das
modalidades de peculato previstas no art. 312 do Código Penal. O § 1º do
referido dispositivo contempla o denominado peculato-furto, hipótese em que o
funcionário público, embora não detenha formalmente a posse do bem, o subtrai
ou concorre para que seja subtraído, valendo-se da facilidade proporcionada por
sua condição funcional.
Nesse
contexto, o eventual fato de o bem permanecer no âmbito da Administração
Pública, caso tenha sido simplesmente transferido, sem autorização, para outro
órgão, setor ou dependência pública, não afasta, por si só, a necessidade de
apuração da regularidade da conduta. Caberá verificar, entre outros aspectos, a
finalidade da retirada, a existência ou não de autorização, a competência da
pessoa que determinou ou executou o ato e a destinação efetivamente conferida
ao patrimônio.
Saulo
manifestou indignação diante do que considera mais um episódio de intervenção
arbitrária envolvendo o Museu do Vale do Arinos. Segundo ele, a instituição vem
enfrentando um processo de sucateamento e abandono por parte do Poder Público
Municipal desde a gestão de Carlos Sirena, situação que, conforme afirma, já
foi anteriormente levada ao conhecimento do Ministério Público.
Por
fim, Saulo declarou que acompanhará atentamente o desdobramento do caso e que
cobrará das autoridades competentes a devida apuração dos fatos e, caso sejam
constatadas irregularidades, a responsabilização administrativa e,
eventualmente, criminal dos agentes envolvidos, inclusive daqueles que tenham
concorrido direta ou indiretamente para a prática dos atos investigados.


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