terça-feira, 19 de abril de 2022

19 de abril dia dos “índios”, ou dos indígenas?!



A palavra “Índio” é vista como estereótipo e não como uma palavra de conquista, essa realidade tem se modificado no decorrer do tempo, havendo a necessidade de mudança. 

O dia 19 de abril é considerado o dia do “índio”, no entanto esta dada foi instituída em um grande evento conhecido como o “1º Congresso indigenista interamericano” no México em 1940.  Para grande parte da sociedade nacional, é uma data que se comemora o dia dos Povo Indígenas de nosso país, mas para nós indígenas esta é uma data que poderia ter outros nomes, pois para muitos de nós a palavra “índio” é um apelido, e um apelido nunca é uma coisa boa.


 Instituída em nosso país no governo de Getúlio Vargas em 1943, com a presença de algumas representações indígenas nesta data, e que até hoje é relembrada nas escolas públicas e até particulares em nosso país.


Para nós povos Indígenas na atualidade a palavra “Índio” já perdeu seu verdadeiro significado de origem, primeiro por conta das narrativas históricas, na qual o descobridor deste território achou que tinha chegado nas Índias, e que agora historiadores reconhecem que era para ocupar o novo mundo, uma vez que já havia navegadores que tinha chegado a este território. Na atualidade vivemos em uma realidade que a palavra “índio’ está carregado de estereótipos, de preguiçoso, e que atrapalha o “desenvolvimento” principalmente nas regiões que ocupam, pois, nosso modelo de crescimento é contrário as politicas de desenvolvimento dessas regiões, que alguns casos dos garimpos, extração de madeira, produção de grão e a pecuária  todos fora da legalidade quando em terras indígenas, aonde as opiniões divergem para a proposta das terras indígenas que busca a sustentabilidade, e todas a práticas deveria ser todas de forma ecologicamente corretas.


O dia 19 de abril poderia ser reconhecido como uma data de celebração do reconhecimento, da importância dos povos indígenas para a riqueza cultural de nosso país, e o quanto nosso povo teve e ainda tem de contribuição para os conhecimentos populares de nossa região, essa proximidade entre os indígenas e a sociedade não indígena, trouxe uma grande mistura de povos, que se perpetua ainda hoje, como podemos encontrar pessoas com narrativas que tem um parente distante  como uma avó ou um avô que é “índio(a)”, que naturalmente busca um discurso de proximidade, com nós que ainda temos as características de nosso ancestrais, ou tem ainda:  “ Minha avó foi pega no laço!”


E que fica no imaginário da sociedade aquilo que foi ensinado ou ainda é ensinado nas escolas tanto publicas quanto particulares, de um “índio’” de 500 anos atrás, e que por esse e outro motivos foi necessário a criação de leis que desenvolva o ensino sobre a cultura afro-brasileira e Indígena.


A Lei 11.645/08 foi uma das grandes conquistas para o reconhecimento social do negro e do indígena. Ela torna obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena em todas as escolas brasileiras, públicas e privadas, do Ensino Fundamental e Médio.

                             

  Fonte:Link:http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11645.htm

 

Levando em conta esta situação, a realidade indígena hoje em nosso estado é bastante diversificada, pois cada comunidade indígena existe um tempo de contato com a sociedade não indígena, e isso varia bastante, pois em cada tempo de contato foi necessária uma metodologia, e uma forma de aproximação.


A FUNAI- Fundação Nacional do índio, criada na década de 1964, após a extinção do SPI- Serviço de proteção ao índio, que tinha como seu patrono o Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, foi a instituição que teve essa função de integrar  “índio” a  sociedade, mas que funcionou até certo ponto, que na realidade integrar o indígena a sociedade, o indígena  deixaria sua cultura, e adotaria a cultura do não indígena e que consequentemente, o desconfigurava como indígena, e assim perderia o direito ao seu território, as comunidade Indígenas ao perceberem essa realidade rapidamente reagiram, com a busca de criação de políticas públicas que nos garantisse uma saúde e educação específica e diferenciada, e no decorrer deste processo a palavra “índio” aumentou os conflitos de interesses e amplificando o estereótipos, espalhados aos quantos cantos  de nosso país.


No caso do Povo Munduruku, já se passaram mais de 100 anos de contato, assim como outros povos que hoje também já dominam, as tecnologias, pois hoje temos indígenas nos mais diferentes campos de formação como Professor, Técnicos em Enfermagem, advogados, escritor, motoristas e indígenas com títulos de Doutor, Mestre e Pós-Doutor, no entanto apesar de saber de usar essas ferramentas do mundo moderno, não deixaram de ser indígenas, muitos ainda continuam falando sua língua mãe, e praticando suas crenças e costumes.


Quero destacar que este é o ponto de vista que tenho sobre o quanto as questões indígenas precisam ser debatidas nos meios de comunicação, como forma de preencher as lacunas de desinformação, que ainda cerca as pessoas que querem saber mais sobre as questões indígenas nos âmbitos locais regional e nacional.

Por:  Marcelo Munduruku

mcl_manhuari@hotmail.com

 

Referências:

 Lei:11.645/2008,http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11645.htm

Marechal Rondon: https://www.ebiografia.com/marechal_rondon/

Dia do índio (19 de abril): https://www.todamateria.com.br/dia-do-indio/

 

 

  

 

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